Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
624
culo. A excisão é realizada diretamente para baixo lateral-
mente para criar o pilar lateral mantendo cerca de 1-2 cm
de espessura. A excisão lateral é então biselada para fora
para remover o tecido profundo do retalho lateral. É difícil
remover tecido mamário em excesso com essa técnica, e a
ressecção insufi ciente é uma queixa frequente. O parên-
quima é então biselado para fora inferior e medialmente da
mesma forma como foi lateralmente. A melhor maneira de
remover o tecido é visualizar deixando o desenho do molde
de Wise sobre o tecido, e remover todo o parênquima – mas
não a pele – embaixo do molde de Wise. Esse parênquima
pode ser diretamente excisado e depois modelado com lipo-
aspiração. É melhor deixar tecido sobre o músculo peitoral
para evitar sangramento e preservar os nervos sensitivos que
passam logo acima da fáscia peitoral.
4. Fechamento dos pilares (Fig. 50.6A). É mais fácil começar
o fechamento pela base da abertura da aréola com alguma
sutura absorvível tipo Monocryl 3-0. O pedículo pode então
Fig. 50.4 A, O molde de Wise é, na realidade, um molde baseado na
forma de um sutiã e não apenas uma abertura em buraco de
fechadura. O molde de Wise é um bom desenho para o parênquima
que irá fi car na mama. Todo o tecido além e abaixo do molde de Wise
deve ser excisado diretamente e depois refi nado por lipoaspiração.
B, Quando o molde de Wise é fechado, a mama fi ca com forma de
cone, resultando em boa projeção das mamas. C, O molde de Wise é
usado para a ressecção do parênquima, mas a ressecção de pele pode
ser desenhada em forma de “boneco de neve”. Os braços verticais
fi cam na mesma posição mas são estendidos ao redor para se
encontrarem cerca de 2-4 cm acima do sulco inframamário, em vez de
estender medial e lateralmente como o desenho de âncora.
A
B
C
Capítulo 50 Mamoplastia vertical com pedículo medial
625
Fig. 50.5 A, O pedículo é desenhado como um pedículo de base medial. Ele é criado como um pedículo de espessura total diretamente inferior à
parede torácica e é muito fácil de posicionar sem dobrar ou comprimir. B, O bloco ressecado possui mais quantidade de tecido removido lateral,
inferior e medialmente do que pele ressecada. A pele remanescente irá se adaptar melhor à nova forma das mamas do que agir como um sutiã.
A
B
Fig. 50.6 A, Os pilares seguem o desenho do molde de Wise e têm cerca de 5-7 cm de comprimento. A borda inferior do pedículo medial se torna
o pilar medial. Os pilares não necessitam se estender até o sulco inframamário, mas o fundo dos pilares são vistos na metade do comprimento da
abertura da pele. As áreas sombreadas demarcam as áreas onde será realizada lipoaspiração, além das áreas que foram diretamente excisadas
abaixo do molde de Wise. B, A aparência no fi nal do fechamento. O montante de parênquima excisado foi de 410 g de cada lado e 500 mL de
gordura foram removidos ao longo do sulco inframamário, na região pré-axilar e ao longo da lateral da parede torácica. Os excessos de pele laterais
que causam constrangimento a muitos cirurgiões irão, na verdade, retrair conforme a mama assenta. Isso normalmente não leva mais do que
poucas semanas. É importante não encurtar o fechamento vertical com suturas muito apertadas. Essa união geralmente se alarga e pode ocorrer
constrição do suprimento sanguíneo, retardando a cicatrização. Nesse caso, o fechamento fi nal foi encurtado apenas em um centímetro,
terminando a 9 cm na mama direita e a 10 cm na esquerda.
A
B
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
626
Fig. 50.7 A–F, Esta paciente de 20 anos vestia sutiã tamanho 50 e pesava 79 kg com altura de 1,58 m. Foi realizada uma mamoplastia vertical
com pedículo medial, removendo 485 g da mama direita e 435 g da mama esquerda. Outros 350 mL foram removidos por lipoaspiração. As fotos
pós-operatórias são mostradas após dois anos da cirurgia. Ela reportou um completo retorno da sensibilidade das papilas.
A
B
C
D
E
F
Capítulo 50 Mamoplastia vertical com pedículo medial
627
ser posicionado no lugar e a borda inferior do pedículo
medial se transforma no pilar medial. Toda a base do pedí-
culo roda para a posição e isso promove uma curva elegante
para o polo inferior da mama. Os pilares correspondem aos
braços verticais do molde de Wise e fi cam mais bem acomo-
dados a cerca de 7 cm, em uma redução normal de mama.
Os pilares começam normalmente a meio caminho acima da
abertura da pele – nem na posição inferior da abertura da
pele nem no sulco inframamário. Novamente, visualizando
o molde de Wise para aquilo que será mantido irá ajudar na
visualização no desenho ideal dos pilares. Os pilares são
aproximados sem tensão com três suturas, não mais que um
centímetro nem tão profundo à superfície cutânea. Grandes
suturas profundas são desnecessárias – os pilares apenas pre-
cisam ser aproximados por poucas semanas, até que cicatri-
zem juntos. Não há necessidade de suturar o tecido mamário
ou os pilares sobre a fáscia peitoral.
5. Fechamento da derme profunda. A derme é então fechada
com sutura profunda interrompida com Monocryl 3-0.
Apenas suturas sufi cientes são necessárias para a justaposi-
ção dérmica. Excesso de sutura irá interferir no suprimento
sanguíneo. O fechamento da derme permite que o cirurgião
visualize o molde de Wise, e é melhor para determinar onde
será realizada a lipoaspiração. Não há necessidade de fechar
a derme em cima do tecido mamário. Suturando a parte
fi nal inferior da pele da parede do tórax apenas irá adiar a
resolução. Ela irá acomodar-se rapidamente ao longo das
semanas após a cirurgia.
6. Refi namento por lipoaspiração. A maior parte do parên-
quima é diretamente excisada. Qualquer tecido mamário
que tenha um elemento fi broso (especialmente lateral e
algum inferiormente) necessita ser excisado diretamente. A
lipoaspiração não é usada para redução do volume, mas
para o refi namento das áreas que sofreram excisão direta.
Isso ocorre normalmente na porção inferior das mamas,
para permitir que o sulco inframamário se curve medial e
lateralmente conforme a parede lateral do tórax e a área
pré-axilar. Excessos cutâneos laterais ocorrem frequente-
mente, resultado de tecido subcutâneo residual e não do
excesso de pele. É importante remover todo o tecido além
do molde de Wise, mas também é importante deixar alguma
gordura abaixo da superfície da pele remanescente para pre-
venir contratura cicatricial.
7. Fechamento de pele (Fig. 50.6B). A aréola é fechada com
alguns pontos contínuos na derme profunda e, depois, com
sutura subcuticular. Se a aréola não for um círculo com-
pleto, pequeno excesso de pele pode ser removido, para a
criação de um círculo antes do fechamento. A incisão verti-
cal é fechada com sutura subcuticular, que não deverá estar
apertada. Múltiplas passadas profundas de pontos irão
danifi car o suprimento sanguíneo. Dobrar ou unir a incisão
vertical não apenas é desnecessário, mas pode causar demora
na cicatrização, por constrição do suprimento sanguíneo e
isso atrasa a resolução do resultado fi nal. O comprimento
vertical irá alargar se fi car muito junto.
Cuidados pós-operatórios
Drenos raramente são usados. Eles não previnem hematomas,
e seromas resolverão sem tratamento. Tiras de esparadrapo
microporoso são aplicadas nas incisões e mantidas por três a
quatro semanas. A paciente toma banho no dia seguinte e
apenas mantém o esparadrapo seco. Sutiãs são usados apenas
para manter as bandagens no lugar e para dar à paciente uma
sensação de suporte. As pacientes podem mudar para qualquer
tipo de vestuário que desejarem. Elas não fi cam restritas em
suas atividades e retornam ao trabalho normalmente em 2-3
semanas.
O resultado fi nal de qualquer procedimento não pode ser
defi nido antes de um ano da cirurgia. O resultado em um ano
de uma redução de mamas vertical com pedículo medial varia
pouco após o primeiro ano de cirurgia (Fig. 50.7).
Complicações
A complicação mais comum é um pequeno excesso de tecido
na porção inferior da incisão vertical. Ela está presente no fi nal
da cirurgia, mas desaparece normalmente nas primeiras semanas
após a cirurgia. Ocasionalmente é necessária uma correção sob
anestesia local no consultório, em cerca de 5% dos casos. Alguns
cirurgiões irão converter durante a cirurgia e acrescentar uma
pequena incisão em “T” mas isso, na verdade, não irá diminuir
a incidência de revisões.12
Problemas de cicatrização na incisão são mais frequentes se
o cirurgião fechar a pele sob tensão. Esse procedimento não usa
a pele para formar um sutiã. A forma é obtida pelo tipo de
ressecção do parênquima. Os problemas na cicatrização também
ocorrem quando suturas em excesso são aplicadas e quando as
margens da pele fi cam apertadas por suturas profundas aperta-
das. Antibióticos perioperatórios são úteis na prevenção de pro-
blemas na cicatrização da ferida e nas suturas com secreção.
Hematomas podem ocorrer, mas boa hemostasia e não o uso
de drenos, é a chave para prevenir hematomas. Seromas também
ocorrem, mas são resolvidos facilmente sem tratamento.
A necrose da papila pode ocorrer em todas as técnicas de
redução de mama. Se existe tensão evidente ou congestão das
papilas, então as suturas devem ser removidas nas primeiras 24
horas. Depois disso, é melhor deixar a necrose se defi nir, antes
de desbridar, porque frequentemente o resultado é surpreenden-
temente bom sem intervenções. Resultados estéticos pobres
podem ser evitados, tentando deixar tecido para trás no molde
de Wise e removendo todo o tecido além do molde, diretamente
ou por lipoaspiração. O fechamento de ambos, tecido e pele, sem
tensão ajudará a evitar problemas na cicatrização das feridas.
Referências
Sugestões e armadilhas
Sugestões
•
É importante notar se a paciente tem implantação alta
ou baixa das mamas.
•
A nova posição das papilas é mais bem determinada em
relação ao limite superior das mamas.
•
A excisão do parênquima é uma cunha mais vertical que
horizontal.
•
O molde de Wise é um bom desenho para a ressecção do
parênquima (e não para a pele).
•
Lipoaspiração é usada para refi namento além do molde
de Wise.
•
O fechamento de pele vertical não deve fi car apertado.
Armadilhas
•
O fechamento dos pilares e da pele não deve ser
apertado.
•
A excisão da pele não deve ser executada até o sulco
inframamário ou a cicatriz poderá terminar na parede
torácica.
•
O tecido mamário não deve ser levado para o polo
superior.
•
O abaulamento é devido à ressecção inferior inadequada.
•
O excesso de tecido excedente não deve ser suturado no
tórax.
•
Não é sempre necessário acrescentar uma incisão em “T”
na excisão de pele.
Resumo das etapas
1.
Nova posição das papilas e abertura da aréola: a chave
para a demarcação é o limite superior da mama e a
avaliação desse limite da mama na parede do tórax. O
topo da aréola é a seguir demarcado 2 cm acima da
nova papila.
2.
Padrões de ressecção de pele: os braços verticais do
molde de Wise ou a abertura em buraco de fechadura
são os mesmos para o desenho vertical.
3.
Desenho do pedículo: o pedículo medial ou
superomedial pode ser desenhado.
4.
Infi ltração: infi ltração com xilocaína e adrenalina é usada
para as áreas (mama inferior, enchimento pré-axilar e
parede torácica lateral) que serão submetidas à
lipoaspiração. A mama em si não é infi ltrada.
5.
Criação do pedículo: o pedículo é desepitelizado
deixando uma borda de derme ao redor da aréola, e é
criado como um pedículo de espessura total.
6.
Ressecção do parênquima: o parênquima é então
ressecado em bloco, removendo o tecido ao redor do
pedículo.
7.
Fechamento dos pilares: é mais fácil iniciar pelo
fechamento da base da aréola aberta com suturas
absorvíveis tipo Monocryl 3-0. O pedículo pode então
ser inserido na posição e a borda inferior do pedículo
medial então se torna o pilar medial.
8.
Fechamento da derme profunda: a derme é então fechada
através de suturas profundas interrompida usando
Monocryl 3-0. Apenas algumas sutura são necessárias para
alcançar a justaposição derme com derme.
9.
Refi namento por lipoaspiração: a maior parte do
parênquima é diretamente excisada. Qualquer tecido
mamário que possua elemento fi broso (especialmente
na lateral e algum inferiormente) necessita ser
diretamente excisado. Lipoaspiração não é usada para
redução de volume mas para refi namento das áreas
que sofreram excisão direta.
10.
Fechamento de pele: a aréola é fechada com alguns
pontos ininterruptos na derme profunda com sutura
subcuticular.
1.
Courtiss EH, Goldwyn RM. Reduction mammaplasty by the
inferior pedicle technique. An alternative to free nipple and
areola grafting for severe macromastia or extreme ptosis. Plast
Reconstr Surg 1977;59:500.
2. Arie G. Una nueva tecnica de mastoplastia. Rev Iber Latino
Am Cir Plast 1957;3:28.
3. Peixoto G. Reduction mammaplasty: A personal technique.
Plast Reconstr Surg 1980;65:217.
4. Lassus C. A technique for breast reduction. Int Surg
1970;53:69.
5. Marchac D, de Olarte G. Reduction mammaplasty and
correction of ptosis with a short inframammary scar. Plast
Reconstr Surg 1982;69:45–55.
6. Lejour M, Abboud M, Declety A, Kertesz P. Reduction des
cicatrices de plastie mammaire: De l’ancre courte a la verticale.
Ann Chir Plast Esthet 1990;35:369.
7. Hall-Findlay EJ. A simplifi ed vertical reduction mammaplasty:
Shortening the learning curve. Plast Reconstr Surg
1999;104:748.
8. Wise RJ. A preliminary report on a method of planning the
mammaplasty. Plast Reconstr Surg 1956;17:367.
9. Wuringer E, Mader N, Posch E, Holle J. Nerve and vessel
supplying ligamentous suspension of the mammary gland.
Plast Reconstr Surg 1998;101:1486.
10. Palmer JH, Taylor GI. The vascular territories of the anterior
chest wall. Br J Plast Surg 1986;39:287–299.
11. Schlenz I, Kuzbari R, Gruber H, Holle J. The sensitivity of the
nipple-areola complex: An anatomic study. Plast Reconstr Surg
2000;105:905–909.
12. Berthe J-V, Massaut J, Greuse M, Coessens B, De Mey A. The
vertical mammaplasty: A reappraisal of the technique and its
complications. Plast Reconstr Surg 2003;111:2192–2199.
628
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
628
51
C A P Í T U L O
Mastopexia e redução
periareolar “Round Block”
de Benelli
Louis C. Benelli
História
O acesso periareolar nos possibilita realizar muitas cirurgias na
mama, da mastopexia à redução ou aumento, e também a
excisão de lesões da mama.
O “round block” nos possibilita o uso da abordagem peria-
reolar estendida aos numerosos tipos de cirurgia de mama,
dando fácil acesso a todas as áreas glandulares por extensão da
incisão em uma elipse de pele periareolar desepitelizada.
Realizando mastopexia, o objetivo principal é obter uma
forma de mama atraente com resultado duradouro, deixando
o mínimo de cicatriz visível. A cicatriz mais curta é confi nada
ao círculo areolar, evitando cicatriz infra-areolar vertical e cica-
triz submamária horizontal.
No entanto, são limitadas as indicações para as várias técnicas
de plastia periareolar.1-6 Apenas casos moderados com pequena
ptose da mama têm sido tratados usando mastopexia periareolar,
devido ao risco de aumento de volume e distorção causados por
tensão sobre a aréola. A técnica do “round block” ajuda a eliminar
essa complicação e torna possível tratar casos de ptose e hiper-
trofi a da mama por mastopexia periareolar.7,8
Um dos principais elementos de nossa técnica é tratar a
ptose e a hipertrofi a usando sutura dérmica circular bloqueada
em bolsa de tabaco. O “round block” constitui numa cerclagem,
fi xando um bloco de cicatriz dermodérmico circular sólido em
torno da aréola (Figs. 51.1 e 51.2).
O conceito da técnica “round block” periareolar é totalmente
diferente do conceito da técnica tradicional em T invertido ou
vertical, na qual a tensão da pele sobre as cicatrizes dá à mama
uma forma cônica.
Por outro lado, na técnica “round block” periareolar, é neces-
sário evitar a tensão na pele periareolar porque a forma da
mama não é dada pela tensão cutânea, mas pela modelagem
interna da glândula separada da pele ou por um implante, se
for necessário o aumento de volume.
Para obter forma de mama atraente, é necessário separar o
trabalho na glândula (criando a forma cônica) do trabalho
sobre a pele (removendo o excesso de pele em torno da aréola).
A pele precisa cobrir a nova forma cônica sem nenhuma tensão.
O excesso de tensão na pele achatará a forma e causará proble-
mas no fechamento.
O objetivo do “round block” não é criar tensão na pele peria-
reolar, mas fornecer uma distribuição homogênea da pele da
mama em torno do círculo periareolar, cobrindo o cone de
mama glandular sem tensão.
Para obter a maior projeção anterior da mama, realizamos
uma técnica em T invertido com linhas cruzadas na glândula,
o que resulta em boa formação de cone e sustentação sem
incisar a pele.
As cicatrizes são menos importantes para uma mulher madura,
mas podem ter consequências negativas para uma mulher jovem,
na qual as cicatrizes algumas vezes são hipertrófi cas.
Quando são realizadas mamoplastias, os esforços para
limitar a cicatriz ao círculo periareolar são motivados pelo fato
de que o fechamento periareolar, em geral, produz uma cicatriz
que não chama a atenção, embora a pele perto do sulco infra-
mamário tenha muito mais potencial para desenvolver cicatriz
hipertrófi ca, especialmente na área paraesternal.
Evolução da técnica pessoal
Em 1983, começamos a realizar a mastopexia periareolar com
cerclagem dérmica da aréola por meio de sutura em bolsa de
tabaco a fi m de impedir o aumento de volume da aréola e a
cicatriz no pós-operatório. Em vista da efetividade desse pro-
cedimento, estendemos sua aplicação, chamando-o “round
block” em razão da solidez da cicatriz circular dermodérmica
reforçada pela cerclagem, sendo feita sutura com fi o não absor-
vível em bolsa de tabaco através da borda da derme periareolar.
Usando o “round block”, nossos esforços inicialmente nos pos-
sibilitaram a redução do comprimento da cicatriz horizontal,
indo de uma técnica do “T” invertido para uma técnica
vertical.7,8 Finalmente, foi possível eliminar a cicatriz vertical
com a técnica periareolar.
Esse procedimento nos possibilitou tratar casos mais
graves de ptose e, assim, estender as indicações da mastopexia
periareolar, que, no passado, fi cava reservada apenas para
casos de ptose ou hipertrofi a moderada, essencialmente em
629
Seção 11: A mama
para ver as atualizações deste capítulo
(erm inglês)
p
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
630
razão do risco pós-operatório de aumento da aréola e da cica-
triz periareolar.
Nosso uso da técnica “round block” tem progredido com
prudência. No começo, obtivemos os melhores resultados na
correção de ptose hipotrófi ca pelo uso da mastopexia periareo-
lar com “round block” e colocação simultânea de implante
mamário, garantindo a forma e a projeção anterior da mama.
Para obter a formação do cone mamário no tratamento da
simples ptose e hipertrofi a, plicatura simples e invaginação da
base da mama produziram resultados satisfatórios para mamas
pequenas, mas resultados insatisfatórios para mamas maiores,
com alguns levando ao achatamento da forma no longo prazo
e recidiva da ptose.
Portanto, aplicamos as técnicas classicamente usadas para
mamoplastia de redução em T invertido, mas as praticamos
somente na glândula mamária, sem incisar a pele. Esta foi então
reposicionada em torno da aréola sem tensão, usando um
“round block” na abertura da pele. A mama era reduzida e remo-
delada à maneira de um T invertido interno apenas para o
parênquima glandular.
As técnicas do T invertido que dão máxima formação de
cone e o melhor suporte no longo prazo são as que se caracte-
rizam por cruzamento e sobreposição de dois retalhos (lateral e
medial), que garantem máxima projeção anterior da aréola.9,10
No que se refere ao trabalho na própria glândula, nosso
objetivo tem sido limitar seu descolamento o máximo possível
a fi m de maximizar a vitalidade dos retalhos glandulares e
garantir a forma cônica. No que se refere à pele, a tendência
tem sido limitar a quantidade de ressecção da elipse da desepi-
telização periareolar para prevenir complicações, como má cica-
trização e achatamento da mama devido ao excesso de tensão
na área periareolar.
Materiais e métodos
De 1983 a dezembro de 2007, realizamos esse procedimento
cirúrgico em 528 pacientes em cirurgias estéticas, tumorais e
reconstrutivas (Tabela 51.1). Temos sido progressivos em nosso
avanço nesse tipo de procedimento em casos de ptose ou hiper-
trofi a grave. As reduções de mama têm englobado a ressecção
média de 180 g (máximo de 1.200 g) em cada mama.
O princípio da operação é realizar mastopexia com T inver-
tido interno, com grande pedículo dermoglandular vertical com
a base superior sustentando a aréola e reposicionar a pele sem
tensão em torno da aréola no cone glandular por “round block”,
como uma luva cobre a mão. A pele naturalmente se retrairá
sobre o novo cone da mama uma vez desaparecido o edema
pós-operatório, o que ocorre algumas semanas após a operação.
A pele da mama tem notável capacidade de se retrair, progra-
mada pela natureza para se adaptar a consideráveis mudanças
de volume ocorridas durante a gravidez e a lactação, durante as
quais a aréola facilmente se adapta a várias mudanças de
diâmetro.
Anatomia
Na mama, fazemos distinção entre a pele periareolar elástica e
fi na, cuja função é se adaptar às mudanças de volume da mama
e que geralmente produz cicatrizes fi nas e facilmente estiradas
pelo peso da glândula, e a pele da base da mama e do sulco
submamário. A função dessa pele espessa é sustentar a mama,
e as cicatrizes que produz são potencialmente muito maiores.
Para sustentação da mama, usa-se a técnica periareolar para
remover a pele elástica fi na e distendida em torno da aréola,
que não tem valor de sustentação, e conservar a pele espessa da
base da mama e do sulco submamário.
A vascularização e a inervação da aréola e da glândula
mamária são abordadas da mesma maneira que para a técnica
do T invertido, com retalho dermoglandular vertical susten-
tando a aréola com um pedículo superior. Esse pedículo será
maior porque ocupa a largura inteira da elipse, enquanto, na
elaboração de mamoplastia em T invertido, o pedículo será
mais estreito, atravessando a borda da aréola, onde é necessária
Tabela 51.1 Série clínica (janeiro de 1983 a dezembro de 2007)
Reduções da mama
43%
227
Mastopexias
22%
116
Mastopexias e aumento
23%
122
Cirurgias tumorais e
reconstrutivas
12%
63
Número total de casos
100%
528
Fig. 51.1 Ponto de cerclagem “round block” com Mersilene 2-0, feito
com agulha reta longa passada num método em cordão de bolsa (bolsa
de tabaco). Esse ponto é passado em plano regular na derme profunda,
5 mm além da borda de desepitelização. Essa cerclagem em “round
block” facilita o bom controle da aréola e da cicatriz, e pode ser usada
em muitas cirurgias periareolares estéticas, tumorais e reconstrutivas.
Fig. 51.2 Vista transversal, mostrando que ponto da cerclagem em
“round block” não produz tensão sobre a aréola e a cicatriz.
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
631
liberação reta do tecido adjacente para permitir a elevação. Por
essa razão, a vitalidade, a capacidade de amamentar e a inerva-
ção da aréola parecem ser preservadas melhor pela técnica
“round block”.
A vascularização subdérmica é preservada fazendo-se a
excisão da pele com tesoura perto da glândula. Na ocasião da
incisão dérmica no interior da elipse desepitelizada, conserva-
mos uma tira de 1 cm de derme a fi m de proteger a vasculari-
zação da borda de pele da elipse, especialmente na sua parte
inferior (Fig. 51.5).
A operação inteira, desse modo, preserva a irrigação e a
inervação da mama. Essa vantagem é essencial para a melhora
do controle da cicatriz e da vitalidade dos tecidos constituindo
a mama remodelada.
Avaliação física
Indicações de mastopexia periareolar e
advertências pré-operatórias
A consulta antes da cirurgia é essencial para compreender as
expectativas da paciente: essas expectativas costumam ir além
das possibilidades da cirurgia. A paciente deve ser informada
de que o resultado da cirurgia depende da qualidade anatômica
do tecido. Desse modo, a seleção de pacientes e a preparação
da cirurgia precisam ser realizadas com cuidado.
Ao planejar a cirurgia, precisamos considerar três fatores: o
contexto psicológico, as condições anatômicas e nossa própria
experiência com a técnica.
Contexto psicológico
Esse é um elemento importante. As pacientes precisam estar
dispostas a aceitar uma forma menos do que perfeita, favore-
cendo a redução da cicatriz. Deve-se pintar um quadro realista
de tais possíveis difi culdades pós-operatórias a fi m de testar sua
motivação para limitar a cicatriz.
As pacientes devem estar cientes das inconveniências pós-
operatórias em potencial da mastopexia em geral e da masto-
pexia periareolar em particular, como o enrugamento da pele
periareolar, que pode durar semanas ou até meses, a necessi-
dade de usar sutiã noite e dia por dois meses, a possível neces-
sidade de revisão da cicatriz em caso de má cicatrização, a
persistência de irregularidades cutâneas e, no caso de falha
completa, a possível necessidade de passar por uma mastopexia
em T invertido depois de tudo.
A reação da paciente a essas advertências permite a identi-
fi cação daquelas que provavelmente não poderiam tolerar emo-
cionalmente as difi culdades pós-operatórias. As “pacientes
impacientes”, em geral, são excluídas, assim como aquelas com
expectativas fora da realidade ou com sofrimento narcisista
exagerado. As pacientes que exigem técnica de cicatriz curta
geralmente desejam obter um aspecto natural e, em geral, fi cam
satisfeitas com o resultado da operação, apreciando a forma,
bem como a natureza discreta da cicatriz.
Condições anatômicas
As melhores indicações são ptose moderada ou hipertrofi a em
paciente jovem. Para essas pacientes, a pele tem bom potencial
de retração, e o tecido mamário é mais fi rme. Isso é importante
porque a cicatriz da pele da mulher jovem tem maior probabi-
lidade de se tornar hipertrófi ca e, portanto, gostaríamos de
limitar a extensão da cicatriz.
Por outro lado, as contraindicações incluem mamas essen-
cialmente gordas ou que tenham muita pele adicional. Os cirur-
giões devem ter cautela ao considerar as pacientes que estejam
acima do peso, com mais idade ou tabagistas.
A morfologia do tórax e a forma das mamas também são
importantes: mamas tubulares são uma boa indicação, porém
mamas muito largas são mais difíceis de tratar.
Experiência com a técnica
É preferível que os cirurgiões não familiarizados com essa
técnica iniciem operando pacientes com ptose moderada em
que o eixo vertical da elipse periareolar planejada não exceda
10 cm. Depois de adquirir certa experiência, o cirurgião pode
escolher estender as indicações para casos maiores de ptose ou
hipertrofi a. O grau de difi culdade depende, principalmente, do
grau de ptose. A ressecção é realizada na parte distal dos reta-
lhos glandulares, ressecando como na mamoplastia de redução
à maneira do T invertido, mas sem incisar a pele.
Desse modo, teremos maior probabilidade de realizar esse
procedimento em paciente jovem, mesmo nos casos maiores
de hipertrofi a, se as condições psicológicas e anatômicas forem
favoráveis.
Etapas técnicas
Etapa 1: Planejamento e marcação
Não temos modelo padrão. Cada um é específi co para cada
paciente individualmente. A marcação começa com a paciente
em pé, depois em decúbito dorsal e, fi nalmente, de volta à
posição em pé.
Marcação na posição em pé
Marca-se a linha média para manter a simetria. No começo, o
meridiano da mama é marcado na clavícula a 6 cm da linha
média. O meridiano não é o meridiano da mama ptótica, mas
o meridiano da mama remodelada manualmente. Esse novo
meridiano não atravessará necessariamente a papila ptótica
porque a ptose mamária, em geral, é uma lateralização da
mama por convexidade da parede torácica (Fig. 51.3).
O novo meridiano costuma ser mais medial que o da mama
ptótica. A parte inferior do meridiano da mama não é marcada
enquanto a paciente está em pé, mas quando está em decúbito
dorsal.
A nova posição vertical da aréola. A borda superior da aréola
(ponto A) é marcada como na técnica Pitanguy no meridiano
da mama, 2 cm mais alta do que a projeção anterior do sulco
submamário. Remodelando a mama manualmente, o cirurgião
verifi ca se o ponto A está marcado na posição correta. O ponto
A contralateral é marcado medindo-se a distância à fúrcula
esternal.
Simetria. Para avaliação mais precisa, o cirurgião observa a
paciente em pé na posição anatômica. A melhor posição para
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
632
o observador é fi car voltado para a paciente a uma distância de
90 cm a 1,80 m. Durante essa inspeção, o cirurgião também
pesquisa outras assimetrias da mama.
No caso de assimetria de volume, essa avaliação pré-opera-
tória na posição em pé é útil para a estimativa de possível
variação no volume ressecado de redução de um lado para o
outro.
Marcação na paciente que está deitada em decúbito dorsal
A parte inferior da marcação é feita com a paciente em decúbito
dorsal, com os braços simetricamente ao lado dela.
Marcação do sulco submamário e dos limites da glândula.
O ponto S é o ponto onde o meridiano da mama atravessa o
sulco submamário. Geralmente atravessa o sulco a aproxima-
damente 10 cm da linha média.
O ponto B é a borda inferior da nova aréola. É marcado no
meridiano da mama, e sua posição é determinada pela estima-
tiva do volume fi nal da mama a ser alcançado e pelo potencial
de retração de pele. A distância entre os pontos B e S (BS) pode
variar de 5-12 cm.
Deixar ampla distância BS tem duas vantagens Cobrir o
cone glandular sem tensão da pele impede o achatamento da
forma da mama, permitindo que a pele retraia em adaptação
mais natural à altura do novo cone glandular obtido por mode-
lagem interna da glândula. Reduzir o tamanho da excisão de
pele facilita mais a adaptação da pele ao tamanho fi nal da
aréola durante a sutura da pele periareolar.
Os pontos C e D são os limites lateral e medial da elipse,
respectivamente. Esses pontos são marcados simetricamente,
tendo por referência o meridiano da mama como guia e por
objetivo marcar o tamanho mínimo da elipse porque é neces-
sária pele sufi ciente para cobrir sem tensão o novo cone glan-
dular, elevado e projetado anteriormente. Por essa razão, o
ponto C, limite lateral da elipse, geralmente fi ca perto da borda
lateral da aréola (Fig. 51.3).
O limite medial da elipse (ponto D) é simétrico ao ponto
C, usando o meridiano da mama como guia e localizado a 8-12
cm da linha média, seguindo a largura da parede torácica, a
implantação da mama e o volume de mama a cobrir. A borda
medial da elipse contralateral é marcada simetricamente com
referência à linha média.
Faz-se a verifi cação das marcações pinçando A e B ao mesmo
tempo, depois C e D a fi m de verifi car se o restante de pele será
adequado para cobrir o cone glandular sem tensão. Finalmente,
marca-se a elipse com uma linha interrompida que une os
pontos A, B, C e D. Nesse ponto, a forma da elipse deve estar
quase redonda quando a paciente está deitada.
Faz-se uma verifi cação fi nal do desenho da elipse com a
paciente em pé. A gravidade dá forma vertical à elipse. O cirur-
gião deve verifi car a simetria e anotar e fotografar as medidas
da marcação.
Etapa 2: Preparação
Com a paciente sentada parcialmente ereta, os braços são
fi xados ao corpo usando faixas adesivas em torno das coxas. A
região é infi ltrada com diluição de soro fi siológico (1.000 mL),
adrenalina (0,50 mg) e lidocaína a 2% (40 mL). Toda a área
que será descolada é infi ltrada por via subcutânea, exceto na
elipse e 3 cm ao redor, a fi m de preservar a vascularidade das
bordas de pele. O espaço pré-peitoral também é infi ltrado na
área da ressecção glandular.
Etapa 3: Incisão e dissecção
Realiza-se a desepitelização da elipse periareolar puxando um
retalho epidérmico concêntrico (Fig. 51.4). A aréola é marcada
com um areolótomo na pele tensionada, 1,5 cm de diâmetro
maior do que o diâmetro fi no desejado para compensar disten-
são e retração posterior. Geralmente é excisada com 5,5 cm para
fi nalizar com 4 cm.
Faz-se uma incisão na derme desepitelizada na posição de
2 horas a 10 horas, 1 cm interno da borda de pele, para melho-
rar o suporte vascular subdérmico da borda epidérmica.
Realiza-se a dissecção subcutânea considerando a irrigação
da pele. A dissecção se estende da elipse aos limites do sulco
submamário (Fig. 51.5).
Nesse estágio, o cirurgião faz uma incisão na glândula a fi m
de constituir o retalho dermoglandular que sustentará a aréola.
Essa incisão não se estende à borda da derme porque muitas
vezes está perto demais da aréola, especialmente na parte
lateral.
A incisão glandular é semicircular a 3 cm da borda inferior
da aréola a fi m de preservar a inervação e a irrigação da aréola.
Essa incisão facilita a abertura do espaço pré-peitoral, que dis-
secamos somente no espaço central avascular, preservando a
irrigação periférica, onde a mama é mais aderente à fáscia e
onde estão localizadas as perfurantes. O retalho glandular infe-
A
B
C
D
S
Fig. 51.3 Marcação da pele. Selecione seus quatro pontos cardeais a
fi m de reduzir o tamanho da elipse. Você precisará de grande
quantidade de pele para cobrir o cone glandular, e a pele se retrairá
depois da cirurgia. Qualquer ressecção excessiva da pele pode criar
complicações sérias. S, o meridiano da mama atravessa o sulco
submamário.
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
633
Trabalhar com retalhos glandulares facilitará a redução de
volume, se necessária, e remodelará a mama por fi xação dos
retalhos em nova posição, formando um cone glandular no
qual a pele será reposicionada com o fechamento em “round
block”.
Etapa 4: Ressecção da glândula seguindo o
padrão Wise
Dependendo do caso, a ressecção poderá ser executada nos dife-
rentes retalhos glandulares. Para reduzir o polo superior, pode
ser realizada ressecção em quilha tipo Pitanguy (Fig. 51.6). Para
reduzir o polo inferior lateral, realiza-se a ressecção no retalho
lateral como para uma redução em “T” invertido seguindo o
padrão Wise (Fig. 51.6). Se o retalho lateral continuar espesso
demais, a redução poderá ser estendida ao lado posterior do
retalho no espaço pré-peitoral para obter a espessura desejada.
Para reduzir o polo medial inferior, a ressecção pode ser
estendida ao lado posterior do retalho no espaço pré-peitoral
para obter a espessura desejada.
Para reduzir o polo inferior medial, pode ser realizada a
ressecção na parte distal do retalho medial. Se o volume a res-
secar for grande, a ressecção poderá ser realizada como na
técnica do T invertido. Em outros casos, a redução do retalho
medial não se estende medialmente a fi m de deixar o volume
necessário para preencher o polo interno da mama.
Etapa 5: Modelagem glandular
Dependendo da anatomia de cada paciente, os retalhos glan-
dulares se situam de modo a obter uma forma atraente com
descolamento mínimo para impedir a necrose gordurosa.
Os retalhos glandulares são reunidos a fi m de reduzir a base
da mama, proporcionando forma cônica e melhor sustentação
a longo prazo. A mastopexia com retalhos cruzados costuma
funcionar bem para atingir essas metas.
Começamos reduzindo a base superior da mama, usando
uma plicatura, fechando a redução em quilha com um ponto.
A base inferior da mama é reduzida cruzando os dois reta-
lhos glandulares inferiores (lateral e medial). O retalho cruzado
sobre o outro tem a maior amplitude de translação. Como a
ptose envolve fl acidez da mama, mas também, em geral, late-
ralização, preferimos cruzar o retalho lateral sobre o medial
para medializar a forma da mama. Nos raros casos em que
desejamos lateralizar a mama, cruzamos o retalho medial sobre
o lateral.
Na maioria dos casos, começamos a mastopexia com reta-
lhos cruzados rodando e dobrando o retalho medial atrás da
aréola, fi xando sua parte distal ao músculo peitoral usando um
ponto em “U” (Fig. 51.7). O retalho lateral é cruzado sobre o
medial e fi xado a ele por pontos em U adicionais (Fig. 51.8).
Esses pontos glandulares não comprimem o tecido glandular,
evitando assim a cito-esteatonecrose glandular. Movendo os
retalhos reduzimos a base da mama e criamos um cone glan-
dular no qual posicionamos a aréola.
Etapa 6: Janela dérmica para fi xação da
aréola
A fi xação da aréola à borda superior da elipse é facilitada por
uma janela dérmica que abrimos com incisão de 1 cm na derme
Fig. 51.4 Desepitelização. A epiderme periareolar pode ser removida
rapidamente pela simples tração de um retalho epidérmico concêntrico.
A
B
C
D
Fig. 51.5 O descolamento cutaneoglandular é estendido o mínimo
para facilitar a distribuição de pele sobre o novo cone glandular.
rior é então elevado entre duas pinças e cortado verticalmente
além do meridiano da mama até a fáscia.
Como resultados da dissecção, serão criados quatro retalhos
(Fig. 51.6):
1. Um retalho dermoglandular superior que sustenta a aréola.
2. Um retalho medial glandular.
3. Um retalho lateral glandular.
4. Um retalho de pele ressecado.
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
634
Fig. 51.6 A incisão nos retalhos glandulares e, se
necessário, sua redução, é semelhante ao usado
na técnica do “T” invertido: um retalho
dermoglandular vertical com base superior
sustentando o complexo aréolo-papilar, um pilar
glandular lateral e outro medial, e um retalho de
pele.
Retalho lateral
Retalho superior
Retalho medial
Ressecção em quilha
Fig. 51.7 Rotação do retalho medial, dobrado e fi xação
usando ponto em “U” no peitoral. A posição da fi xação
no músculo peitoral precisa ser avaliada de acordo com a
anatomia de cada paciente. Na maioria das vezes, o
retalho medial é suturado atrás da aréola a fi m de garantir
melhor sustentação da projeção anterior da aréola.
Retalho lateral
Retalho medial
(Fig. 51.9), a 5 mm da borda. Através dessa janela, criamos uma
pequena bolsa intraglandular na qual elevaremos e suturare-
mos a derme supra-areolar à derme profunda da bolsa. Essa
fi xação sustenta a aréola sem tensão na borda da pele.
Etapa 7: Sutura completa da mama
De modo ideal, o cone glandular terá boa forma, com a aréola
no topo do cone. A qualidade de tecido determina se esse resul-
tado poderá ser mantido a longo prazo. Para proporcionar a
melhor sustentação da forma, preferimos usar sutura completa
da mama com poliéster trançado Mersilene 2-0, aplicado com
agulha reta longa (Fig. 51.10). Esse tipo de sutura é útil em
caso de tecido glandular de má qualidade, especialmente nas
pacientes com involução adiposa.
A sutura é criada por alguns pontos grandes invertidos, com
tensão moderada, atravessando a espessura inteira do diâmetro
da mama para manter o cruzamento dos retalhos glandulares.
A sutura, em sua parte superior, também atravessa o retalho
dermoglandular da aréola. Essa passagem permite o controle
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
635
Fig. 51.8 O retalho lateral é cruzado sobre o medial, e a linha de
cruzamento é suturada usando alguns pontos superfi ciais em U,
prendendo os ligamentos suspensores da mama para impedir constrição
da vascularização do retalho. Será obtida forte sustentação da nova
forma cônica depois da sutura completa da mama (etapa 7).
Fig. 51.9 A janela dérmica impede o aumento da cicatriz por forte
fi xação da borda superior da aréola através da janela e permite ao
cirurgião sepultar o nó da cerclagem do “round block”.
da projeção anterior do complexo aréola-papilar e impede sua
protrusão. É importante que esses pontos da sutura completa
da mama sejam aplicados sem tensão para evitar estrangular a
glândula e causar necrose gordurosa. O papel da sutura com-
pleta da mama é proporcionar sustentação passiva da forma
cônica obtida pelos pontos superfi ciais da modelagem glandu-
lar (etapa 5).
Fig. 51.10 Usando agulha longa e discretamente curva, a sutura
completa da mama sustenta fortemente a forma cônica, usando
grandes pontos invertidos com Mersilene 2-0. O primeiro ponto é
transareolar e permite o controle da projeção anterior do complexo
areolopapilar. Os outros pontos atravessam a espessura inteira do
diâmetro da mama. Todos esses pontos são amarrados sem tensão.
Etapa 8: Ponto de cerclagem do
“round block”
A pele descolada é redistribuída no cone glandular e pode ser
necessário descolamento complementar para liberar um pouco
de pele a fi m de obter elevação fácil e distribuição por igual da
pele em torno de toda a aréola.
O ponto de cerclagem do “round block”. pode ser feito de
dois modos: fora da elipse ou dentro da elipse.
“Round block” fora da elipse
O ponto de cerclagem do “round block” é feito como uma bolsa
de tabaco na derme profunda, 5 mm além da borda da elipse
(Fig. 51.11). A sutura começa através da janela dérmica sobre
a sutura que fi xa a aréola, segue um plano regular na derme
profunda e termina em seu ponto de início (Fig. 51.11).
Usamos Mersilene 2-0 aplicado com agulha reta longa de 7 cm,
permitindo um plano regular na derme.
“Round block” dentro da elipse
O ponto de cerclagem “round block”, novamente com Mersilene
2-0, é feito com agulha curva, como em bolsa de tabaco,
entrando e saindo alternadamente da derme a 2 mm da borda
da área desepitelizada dentro da elipse (Fig. 51.12).
Ao tracionar a sutura, eleva-se toda a pele descolada em
torno da aréola; um deslizamento da pele no ponto permite
distribuição por igual das pregas. Para o fechamento com sime-
tria dos diâmetros da aréola, medimos o diâmetro com régua
ou também podemos usar um areolótomo do diâmetro dese-
jado que seja introduzido, e a sutura amarrada a ele (Fig.
51.13). O nó é sepultado abaixo da pele através da janela
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
636
Fig. 51.11 Vista da agulha reta longa passando em plano regular na
derme profunda, 5 mm além da borda da elipse. O ponto da cerclagem
do “round block” é sepultado atrás da espessura inteira da pele e não é
superfi cialmente exposto abaixo da cicatriz.
Fig. 51.12 O “round block” dentro da elipse com fi o Mersilene 2-0 é
passado com agulha curva como bolsa de tabaco, entrando e saindo
alternadamente da derme a 2 mm da borda da área desepitelizada
dentro da elipse.
dérmica. Preferimos um fi o em poliéster trançado, como o
Mersilene 2-0 porque a cicatriz penetra na fi bra do ponto, evi-
tando deslizamento da pele sobre a sutura quando se movi-
menta a mama. Antes do fechamento da pele, melhoramos a
distribuição das pregas em torno da aréola. Evitamos o acúmulo
de algumas pregas profundas em uma área; tentamos ter pregas
superfi ciais mais numerosas distribuídas em toda a circunferên-
cia da aréola. Isso é mais uma compressão do que uma plicatura
do excesso de pele. O “round block” permite a elevação e a dis-
tribuição por igual do retalho de pele sobre o novo cone glan-
dular (Fig. 51.14).
Fig. 51.13 O ponto de cerclagem do “round block” é puxado e
amarrado ao areolótomo, facilitando a medida exata e a simetria do
diâmetro das duas aréolas.
Fig. 51.14 O “round block” permite que o cirurgião levante e
disponha a pele descolada regularmente sobre o cone glandular
remodelado, com distribuição homogênea do excesso de pele.
Etapa 9: Um segundo “round block”
dermoareolar englobando o tecido
retroareolar
Esse segundo “round block” dermoareolar (Fig. 51.15) ajudará
a obter distribuição homogênea do excesso de pele periareolar
que é adaptado e fi xado à aréola em oito pontos, que são os
quatro pontos cardeais com quatro pontos entre cada um
deles.
O segundo “round block” é executado com fio de náilon
monofilamentar incolor 4-0 com agulha curva. Começa na
posição de 6 horas no tecido retroareolar e continua, pas-
sando pela crista das pregas dérmicas dentro da elipse
fechada, 3 mm interno à borda da pele e passando nova-
mente pelo tecido retroareolar quando chega no nível
próximo dos oito pontos areolares.
O segundo “round block” tem os seguintes objetivos:
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
637
• ajudar a sutura de compensação fi nal da pele pela distribui-
ção homogênea das pregas em torno da aréola;
• sepultar a derme e a gordura protuberantes entre a aréola e
o primeiro “round block”;
• controlar a projeção anterior do complexo areolopapilar,
evitando a protrusão da aréola através do primeiro “round
block”;
• fechar a ferida e permitir a abertura do dreno de aspiração
antes de terminar a sutura de compensação fi nal da pele.
Etapa 10: Regulação da projeção da aréola
A formação do cone da glândula dá uma projeção anterior forte ao
complexo areolopapilar, algumas vezes gerando sua protrusão.
Propomos algumas suturas específi cas para controlar a pro-
jeção anterior do complexo areolopapilar:
•
O primeiro ponto transareolar completo da mama (Fig.
51-10) é o primeiro controle da projeção anterior do com-
plexo aréolo-papilar realizado depois da modelagem glan-
dular (etapa 7).
•
Os pontos dermoareolares invertidos dão um grande aperto
vertical na espessura da aréola e um aperto horizontal na
borda da elipse dérmica. A localização desses pontos
também é útil para distribuição homogênea do excesso de
pele (como nos pontos cardeais) (Fig. 51.16).
•
Fazem-se pontos em U transareolares diametrais com poli-
éster trançado 2-0 usando agulha reta. A fi m de cobrir o nó,
a sutura começa e termina sepultada atrás da aréola (Fig.
51.17). Esse ponto em U também é útil para dar forma
circular à aréola; em alguns casos, a aréola tende a assumir
uma forma oval. Esse ponto em U diametral é feito no
Fig. 51.15 O segundo “round block” é feito depois do primeiro
“round block” e ajudará a obter distribuição homogênea do excesso de
pele periareolar para se adaptar e fi xar à aréola em oito pontos, que
são os quatro pontos cardeais e quatro pontos entre cada um deles.
Fig. 51.16 Os pontos dermoareolares invertidos facilitam o controle da
protrusão da aréola através da cerclagem do “round block” e o preparo
da distribuição por igual das pregas em torno da aréola como pontos
cardeais.
maior diâmetro da aréola oval. Um pouco de tensão no
ponto dá forma circular à aréola.
•
A sutura do segundo “round block” dermoareolar interno
descrito na etapa 9 também é muito útil para controlar a
projeção do complexo aréolo-papilar.
•
Todos esses tipos de pontos e suturas permitem o controle
do tamanho, da forma e da projeção do complexo aréolo-
papilar.
Etapa 11: Fechamento da pele
A acomodação da grande elipse à pequena aréola requer uma
sutura de compensação (Fig. 51.18):
•
A sutura de compensação intradérmica contínua usando fi o
intradérmico Monocryl 4-0 começa no ápice da aréola,
englobando bastante tecido no sentido horizontal na borda
da elipse e pouco tecido no sentido vertical na borda da
aréola. Essa sutura é realizada para evitar a criação de pregas
profundas e manter uma distribuição homogênea das pregas
superfi ciais. A sutura é totalmente intradérmica, e os nós de
início e de término são sepultados, de modo a não deixar
marcas na pele. Toda a sutura será reabsorvida.
•
Uma sutura de compensação com pontos separados causará
um pequeno aperto externo no U da aréola, sustentando o
nó e um grande aperto intradérmico na borda da elipse. Essa
sutura usando pontos separados tem a vantagem de facilitar
a acomodação por igual do excesso de pele em torno da
Fig. 51.17 Pontos transareolares diametrais em U constituem uma
barreira, impedindo a protrusão da aréola e dando forma circular à
aréola quando ela tiver tendência a ser ovoide.
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
638
Tabela 51.2 Complicações em 528 casos
Hematoma
9
1,7%
Seroma
4
0,8%
Infecção
3
0,6%
Cistos de citoesteatonecrose
10
1,9%
Necrose da aréola
0
–
Perda de sensibilidade da
aréola
0
–
Necrose parcial do retalho de
pele
6
1,1%
Cicatriz hipertrófi ca
2
0,4%
aréola, mas tem a desvantagem de deixar marcas dos nós na
pele areolar.
Etapa 12: O curativo e os cuidados
pós-operatórios
O primeiro curativo é uma compressa úmida sobre a aréola e
compressas secas sobre a pele descolada. Elas são mantidas com
bandagem adesiva de compressão moderada para impedir a for-
mação de hematoma. A drenagem a vácuo sai abaixo da axila.
No primeiro ou segundo dia após a cirurgia, de acordo com
o volume de drenagem, remove-se o dreno a vácuo, e a paciente
deixa a clínica. Uma semana mais tarde, no consultório, remo-
vemos todo o curativo e limpamos a pele com solução antis-
séptica e, mais tarde, com éter para facilitar a adesão de um
curativo. Este é um curativo adesivo estéril ultrafi no altamente
confortável, semioclusivo, em espuma de poliuretano. Esse
curativo cobre a aréola e a cicatriz e mantém a pele descolada.
A paciente deixa a clínica usando sutiã simples que fi rma a
mama e o curativo adesivo.
O curativo adesivo de espuma de poliuretano tem muitas
vantagens:
•
Impede a tensão sobre a cicatriz.
•
Absorve o exsudato.
•
Protege contra trauma e bactérias.
•
Controla a projeção anterior do complexo areolopapilar
durante o período de edema.
•
Permite que a paciente tome banho de chuveiro sem trocar
os curativos.
•
É simples para a paciente, que não tem de remover o cura-
tivo e somente terá de retornar ao consultório em uma
semana para troca do curativo adesivo.
A paciente precisa usar sutiã noite e dia por dois meses.
Fig. 51.18 Sutura de compensação usando pontos intradérmicos com
Monocryl 4-0, iniciando no topo da aréola, englobando muito tecido
horizontal na borda da elipse e um pouco tecido vertical na borda da
aréola.
Complicações
São observadas as mesmas complicações ocasionadas pela
mamoplastia tradicional (Tabela 51.2). O descolamento cuta-
neoglandular pode facilitar o aparecimento de necrose cutânea
e de citoesteatonecrose glandular. Para evitar essas complica-
ções, é preciso observar algumas medidas de precaução.
Para boa vascularização cutânea
•
Evitar tensão ressecando o mínimo possível de pele.
•
Não infi ltrar a borda da elipse desepitelizada.
•
Durante a dissecção subcutânea, preservar a vascularização
subdérmica.
•
Restringir o descolamento subcutâneo ao mínimo sufi ciente.
•
Manipular delicadamente o retalho, apenas pinçando a
margem da derme desepitelizada.
Para boa vascularização glandular
•
Não infi ltrar a base do retalho glandular.
•
Restringir o descolamento subcutâneo e pré-peitoral ao
mínimo, sufi ciente para permitir a mobilização glandular
necessária e a redução e remodelagem do cone mamário.
•
Executar a redução do volume sobre as partes distais dos
retalhos para limitar seu comprimento.
Os primeiros pontos de união da mastopexia com retalhos
cruzados devem ser superfi ciais, para evitar estrangulamento dos
retalhos. Os pontos da sutura completa da mama se estendem pela
espessura do cone glandular remodelado e são feitos sem tensão.
Seu único papel é de contenção passiva do cone mamário.
Um caso de infecção envolveu uma garota de 16 anos com
acne torácica. Ela tomou banhos quentes de imersão sem retirar
seus curativos que fi caram úmidos e não foram trocados por
uma semana após a cirurgia. O resultado foi piora súbita da
acne sob os curativos úmidos, além de celulite estafi locócica de
cada mama. Os tecidos infectados precisaram ser limpos cirur-
gicamente. Depois do fechamento espontâneo, ela foi nova-
mente submetida a uma cirurgia, dessa vez com a técnica do T
invertido, o que produziu resultado satisfatório.
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
639
Fig. 51.C1 Paciente no 1: A, Hipertrofi a e ptose em paciente de 20 anos. B, Um ano após a cirurgia, redução de 120 g. C e D, Pré e
pós-operatório, um ano.
Continua
A
B
C
D
B
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
640
E
F
G
E e F, Perfi l em pré e pós-operatório, uma semana. Hiperprojeção obtida pela mastopexia com retalhos cruzados. G, Perfi l após
um ano depois da acomodação; boa posição do cone glandular, mantido pela sutura da mama e ancorado ao peitoral por fi o de Mersilene
permanente.
Fig. 51.C1, cont.
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
641
H
I
J
K
Fig. 51.C1, cont.
H, Aréola antes da cirurgia. I, Aréola um mês depois; distribuição por igual do excesso de pele pelo ponto do “round block”,
evitando pregas profundas. J, Aréola depois de um ano; o ponto do “round block” evita aumento da aréola e da cicatriz. K, Aréola na posição
supina após um ano, desaparecimento das pregas e aspecto natural do sulco submamário original preservado pela dissecção.
Dois outros casos de infecção envolveram mastose policís-
tica grave e citoesteatonecrose dos retalhos glandulares por
pontos glandulares apertados estrangulando mama gordurosa
e com involução adiposa, respectivamente. Nesses dois casos, o
fechamento foi demorado, mas fi nalmente foi satisfatório. A
revisão da cicatriz foi realizada usando anestesia local, mas a
cicatriz permaneceu periareolar.
Problemas a longo prazo
•
O alargamento da cicatriz e da aréola é prevenido por meio
de ressecção mínima da pele periareolar pelo uso correto do
ponto de cerclagem do “round block” (etapa 8) e pelo anco-
ramento da aréola através da janela dérmica (etapa 6).
•
O achatamento da forma e a recidiva da ptose são preveni-
dos com boa mastopexia com retalhos cruzados ou plica-
tura glandular com invaginação mantida pela sutura
completa da mama (etapas 5 e 7).
•
A persistência das pregas é evitada passando-se o ponto de
cerclagem do “round block” em plano regular dentro da
derme profunda, pela distribuição por igual do excesso de
pele em torno de toda a aréola, fazendo a pele deslizar sobre
o ponto de cerclagem do “round block” (etapa 8) e por uma
sutura de compensação fi nal intradérmica (etapa 10).
•
Previne-se a protrusão da aréola utilizando-se diferentes
suturas que podem ser usadas em separado ou associadas:
– ponto da primeira sutura transareolar completa da
mama (Fig. 51.10);
– segundo “round block” dermoareolar (Fig. 51.15);
– pontos dermoareolares invertidos (Fig. 51.16);
– pontos em U diametrais transareolares (Fig. 51.17).
Uso do “round block” para mastopexia e
aumento da mama
Na associação de aumento da mama e mastopexia periareolar,
a forma da mama será dada pelo suporte do implante e ajudará
a manter uma boa projeção anterior por longo prazo. Usamos,
geralmente, a posição retropeitoral. A liberação da fi xação
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
642
Fig. 51.C2 Paciente no 2. A, Mama vazia e ptótica em paciente de 45 anos. B, Um ano mais tarde, mastopexia por “round block” e implante
anatômico retropeitoral de 180 mL. C e D, Perfi l no pré e no pós-operatório de um ano.
A
B
C
D
Capítulo 51 Mastopexia e redução periareolar “round block” de Benelli
643
inferior do músculo peitoral permite retração superior do
músculo, elevando o parênquima da mama fi xado a ele.11
A escolha da localização da incisão na elipse desepitelizada
depende de muitos fatores: a elipse dá espaço para ampla
incisão superior, inferior ou lateral à aréola. Isso permite boa
visualização e amplo acesso à dissecção da bolsa.
A forma dada pelo implante, em geral, permite mínima
modelagem glandular, evitando pobre cobertura do implante
no polo inferior da mama, onde não está presente o músculo
peitoral.
Depois de fechar o “round block” na mama remodelada pelo
implante, a aréola frequentemente está em forte protrusão pela
pressão interna através do “round block”. Para controlar essa
protrusão, as suturas descritas na etapa 10 são muito úteis,
usadas separadamente ou em associação.
Sugestões e armadilhas
Sugestões
•
O ponto de partida da técnica ‘cicatriz periareolar simples
sem round block’ é o uso de ponto de cerclagem
periareolar dérmico profundo passado como um fi o de
bolsa para tratar mastopexia e hipertrofi as, resultando em
apenas uma alargamento da aréola ou da própria cicatriz.
•
A análise crítica dos resultados obtidos nos permitiu
elaborar, etapa por etapa, uma gama inteira de soluções
para cada obstáculo encontrado. Com esses avanços e a
seleção criteriosa das pacientes, a técnica do “round
block” nos permite obter regularmente resultados
consistentes e satisfatórios, inclusive cicatriz discreta e
forma satisfatória da mama, tudo com taxa mínima de
complicações.
•
O cirurgião deve aplicar essa técnica a casos com boas
condições anatômicas, com ptoses ou hipertrofi as
pequenas.
•
Para atingir bons resultados, cada detalhe da operação
– das marcações pré-operatórias às suturas cutâneas –
exige muito cuidado.
•
Espera-se que a aplicação diversa e em potencial da técnica
“round block” em cirurgia estética ou tumoral reconstrutiva,
auxiliada pelos avanços trazidos por outros médicos
interessados, leve à real melhora do bem-estar de nossas
pacientes em decorrência da redução de sequelas por cicatrizes.
Armadilhas
•
As pacientes precisam estar dispostas a aceitar menos do
que uma forma perfeita em favor de uma cicatriz
reduzida.
•
As pacientes devem estar cientes das inconveniências
pós-operatórias potenciais da mastopexia em geral e da
mastopexia periareolar em particular, as quais podem
durar semanas ou até meses, da necessidade de usar
sutiã noite e dia por dois meses, da possível necessidade
de revisão da cicatriz em caso de má cicatrização, da
persistência de irregularidades cutâneas e, no caso de
falha completa, da possível necessidade de passar por
mastopexia em T invertido depois de tudo.
•
As contraindicações incluem mamas essencialmente
gordurosas ou que tenham muita sobra de pele. Os
cirurgiões devem ser cautelosos ao considerar as
pacientes acima do peso, de idade avançada ou
tabagistas.
•
Mamas muito grandes são mais difíceis de tratar.
Resumo das etapas
1.
Planejamento e marcação.
2.
Preparação.
3.
Incisão e dissecção.
4.
Ressecção de glândula seguindo o padrão Wise.
5.
Modelagem glandular.
6.
Janela dérmica para fi xação da aréola.
7.
Sutura completa da mama.
8. Ponto de cerclagem “round block”.
9. Um segundo “round block” dermoareolar, englobando o
tecido retroareolar.
10. Regulação da projeção da aréola.
11. Fechamento da pele.
12. Curativo e cuidados pós-operatórios
1.
Dartigues L. Etat actuel de la chirurgie esthétique mammaire.
Monde Med 1928;38:75.
2.
Erol O, Spira M. Mastopexy technique for mild to moderate
ptosis. Plast Reconstr Surg 1980;65:603.
3.
Faivre J, Carissimo A, Faivre JM. La voie péri-aréolaire dans le
traitement des petites ptoses mammaires. In: Chirurgie
esthétique. Paris: Maloine, 1984.
4.
Gruber RP, Jones HW Jr. The “donut” mastopexy: indications
and complications. Plast Reconstr Surg 1980;65:34.
5.
Hinderer U. Plastia mammaria modelante de dermopexia
superfi cial y retromammaria. Rev Esp Cirurg Plast 1972;5:521.
6.
Kausch W. Die Operationen der Mammahypertrophie.
Zentralbl F Chir 1916;43:713.
Referências
7.
Benelli L. Technique de plastie mammaire le “round block”.
Rev Fr Chir Esth 1988;13:7–11.
8.
Benelli L. A new periareolar mammaplasty: round block
technique. Aesth Plast Surg 1990;14:99.
9.
Vinas J. The double breasted breast. Rev Soc Argentina Cirurg
Estet 1974;1:25.
10. Vogt T. Mammaplasty: The Vogt technique. In: Georgiade NG,
ed. Aesthetic surgery of the breast. Philadelphia: WB Saunders,
1990.
11. Tebbets JB. Dual plane breast augmentation: optimizing
implant–soft-tissue relationships in a wide range of breast
types. Plast Reconstr Surg 2001;107.
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
644
52
C A P Í T U L O
Implantes de mama:
fundamentos, segurança e
considerações gerais
Douglas S. Steinbrech e Oren Z. Lerman
Introdução
O aumento das mamas se tornou o procedimento de cirurgia
estética mais popular entre os realizados nos Estados Unidos.
Em 2006, houve 329.000 aumentos de mama realizados, au-
mento este de até 55% desde 2000, ultrapassando a rinoplastia
e a lipoaspiração. Desde que foram introduzidos os primeiros
implantes de mama com gel de silicone em 1962, temos visto
numerosas modifi cações do desenho e avanços, com evolução
dos implantes ao longo de várias gerações. Essa evolução levou
à ampla variedade de implantes com gel e solução salina dis-
poníveis atualmente.
A controvérsia muito divulgada sobre os implantes em gel
de silicone e a sua recente reintrodução no mercado ilustram a
necessidade do conhecimento minucioso dos dados presentes
e históricos, essenciais para qualquer cirurgião que aconselha
suas pacientes que serão submetidas a aumento das mamas.
Uma paciente bem-informada, com informações realistas terá
maior probabilidade de obter um resultado positivo e até de
retornar ao cirurgião em face de uma complicação ou de neces-
sidade de revisão.
Este capítulo tem por objetivo fornecer informações dos
fundamentos necessárias para um cirurgião instruir as pacien-
tes, que buscam aumento das mamas. Em razão da complexi-
dade histórica do assunto, da avaliação clínica em curso e dos
múltiplos produtos e técnicas à disposição, é fácil demais não
perceber vários aspectos críticos na consulta da paciente. Espe-
ramos que este capítulo traga os diversos detalhes relevantes
para essa consulta inicial da paciente, de maneira concisa e
clara.
História/desenvolvimento dos implantes
Cronologia histórica dos implantes
1.
1962 – O primeiro implante de gel de silicone foi introduzido
por Cronin & Gerow e fabricado pela Dow Corning.
2. 1965 – O primeiro implante infl ável com solução salina foi
introduzido por Anon. Fabricado por Simiplast Corporation,
França. Taxa inicial alta de defl ação de até 75%. Retirado do
mercado.
3. 1968 – Heyer-Schulte Co. (mais tarde comprada pela
Mentor) – implante infl ável de solução salina mais durável
(Mentor 1800) nos Estados Unidos.
4. 1974 – A McGhan Medical Corporation foi fundada para
fabricar produtos de silicone para cirurgia plástica estética
e reconstrutiva.
5. 1976 – A FDA promulgou a Emenda de Dispositivos Médicos
à Lei Federal de Alimentos, Drogas e Cosméticos. A FDA
agora tem autoridade para rever e aprovar novos dispositivos
médicos. Os implantes mamários de silicone estão no
mercado há 15 anos e são “avós”. Será necessário aos
fabricantes fornecerem dados de segurança e efetividade.
6.
1977 – Um procurador em Houston ganha a primeira ação
legal contra a Dow Corning.
7.
1977 – A Minnesota Mining and Manufacturing Company
(3M) adquire a McGhan Medical. Em 1984, a McGhan
Medical é retirada.
9. 1984 – Stern versus Dow Corning, San Francisco. Documentos
internos da Dow Corning descobertos pelo procurador Dan
Bolton em um depósito da Dow. Primeira ideia introduzida
de complicações induzidas pelo silicone.
9.
1984 – A Mentor adquire a divisão Heyer-Schulte da American
Hospital Supply e sua linha de produção de implantes de
mama.
10. 1986 – A McGhan muda seu nome para Inamed.
11. 1988 – A FDA classifi ca os implantes como Classe III. Os
pedidos de aprovação pré-comercialização dos fabricantes
de implantes de mama de silicone precisam ser apresentados.
As aprovações pré-comercialização (PMAs) precisam provar
que os dispositivos são seguros e efetivos a fi m de mantê-
los no mercado.
12. Novembro de 1991 – A FDA convoca o Painel de Dispositivos
de Cirurgia Geral e Plástica para analisar todos os dados de
segurança das PMAs. O painel conclui que os dados eram
645
Seção 11: A mama
Consulte
para ver as atualizações deste capítulo
(em inglês)
p
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
646
30. 2006 – A Mentor começa a comercializar seus implantes de
gel de silicone sob o nome comercial “Memory Gel”.
31. Junho de 2007 – A Allergan começa a comercializar a linha
de implantes da Inamed sob o nome de produto Natrelle.
Tipo de implante
Ver Tabela 52.1.
Gerações de implantes
Desde que os implantes de silicone originais foram introduzi-
dos, em 1962, tem havido muitas modifi cações de desenho e
avanços em sua tecnologia e produção. Embora haja variabili-
dade nos esquemas de classifi cação para as gerações de implan-
tes, concorda-se universalmente que a atual geração de implantes,
com conchas mais espessas em múltiplas camadas, camadas de
barreira, géis de silicone mais coesivos e numerosas texturas e
formas, representa avanço signifi cativo desde a primeira e a
segunda gerações de implantes, antes de 1993. Muitas das com-
plicações que levaram às crises impostas aos implantes e à mora-
tória envolveram aqueles implantes das primeiras gerações.
Apesar da moratória dos implantes com gel de silicone nos
Estados Unidos, esses implantes, em geral, têm se mantido dis-
poníveis em outros países e os avanços do desenho e da fabrica-
ção continuaram até a presente data. Tais avanços estão aparentes
nos implantes da presente geração (terceira e mais novos). Alguns
autores descrevem apenas três gerações de desenhos de implan-
tes, sendo que os atuais implantes caem nessa terceira geração.
Os avanços nas diretrizes de fabricação desde 1993, seguindo
normas rígidas que governam a espessura da concha e a coesão
do gel, é o que caracteriza a quarta geração de implantes.
Uma nova categoria, ou quinta geração, inclui os implantes
de silicone de forma estável, altamente coesivos, atualmente em
investigação. Os chamados implantes em “ursinho Gummy”
são implantes de mama com gel de silicone potencializados em
sua coesão com ligação cruzada mais alta das moléculas de
silicone. Esse gel de forma estável ajuda a manter a forma do
implante. Eles incluem o implante estilo 410 da Allergan e o
CPG (Contoured Profi le Gel ⎯ Cohesive III) série 300 da
Mentor. No momento, esses implantes estão disponíveis
somente através de estudos clínicos conduzidos pela Mentor e
a Allergan (Tabela 52.2, Figs. 52.1-52.3).
Segurança e efi cácia
Ruptura do implante de mama, doença do
tecido conjuntivo e câncer de mama
A moratória do uso de implantes de mama em silicone, insti-
tuída em janeiro de 1992 contra a recomendação do painel de
peritos da FDA, demonstrou a natureza contenciosa da contro-
vérsia em torno dos implantes de silicone e transtornos asso-
ciados, como doenças do tecido conjuntivo e câncer de mama.
Em razão da escala dessa controvérsia, os implantes de mama
se tornaram o dispositivo isolado de implante médico mais
investigado. Numerosos estudos epidemiológicos em larga
escala não têm mostrado aumentos relevantes de forma estatis-
ticamente signifi cativa do risco de doença do tecido conjuntivo
em mulheres que tenham sido submetidas a aumento da mama
ou à reconstrução com implantes de silicone gel.
inadequados, mas recomenda que os dispositivos permaneçam
no mercado enquanto são executados ensaios clínicos.
13. Janeiro de 1992 – O comissário da FDA vai contra as
recomendações do painel e pede uma moratória voluntária
no uso de implantes de silicone na mama até que novos
dados estejam à disposição. Os fabricantes concordam.
14. Abril de 1992 – O painel consultivo é reconvocado e conclui
que não se estabeleceu ligação causal entre doença
autoimune e implantes de silicone na mama. O uso posterior
dos implantes é limitado à reconstrução, e as mulheres que
recebem os implantes precisam participar de protocolos
científi cos.
15. Março de 1992 – A Dow Corning, a Bristol-Myers Squibb
e a Bioplasty param de fabricar implantes de silicone para
a mama. McGhan e Mentor são os fabricantes restantes.
16. Março de 1994 – Petição de ação de classe fi nalizada pelos
fabricantes. A Dow Corning é o maior contribuinte. Outros
contribuintes incluem Baxter, Bristol-Myers Squibb e 3M.
Não são necessários requisitos para comprovar que os
implantes sejam a causa de doenças das pacientes.
17. Junho de 1994 – Estudo epidemiológico da Mayo Clinic,
publicado no New England Journal of Medicine, não encontra
aumento do risco de doença do tecido conjuntivo nas
mulheres com implantes de silicone.
18. Maio de 1995 – A Dow Corning pede falência.
19. Setembro de 1997 – O Journal of the National Cancer Institute
publica uma revisão de numerosos estudos médicos e
conclui que os implantes de mama não causam câncer de
mama.
20. Junho de 1998 – A FDA aprovou o estudo de isenção de
dispositivos de investigação (IDE) da Inamed (Core Study)
para seus implantes de mama com gel de silicone. Esse é o
Core Study para P020056.
21. Julho de 1998 – Queixosas concordam com o oferecimento
da Dow Corning de satisfazer dezenas de milhares de
reivindicações de lesão por implantes de silicone na mama.
O acordo permitirá que a Dow Corning se erga dos processos
de falência.
22. Junho de 1999 – O Instituto de Medicina divulga um
trabalho com 400 páginas, concluindo que os implantes de
silicone para as mamas não causam doenças sistêmicas,
como as doenças do tecido conjuntivo.
23. Agosto de 2000 – A FDA aprovou o estudo IDE da Mentor
(Core Study) para seus implantes de mama com gel de
silicone. Esse é o Core Study para P0300053.
24. Dezembro de 2001 – O pedido de aprovação pré-comer-
cialização para os implantes de gel de silicone foi reapre-
sentado pela Inamed Corporation.
25. Outubro de 2003 – Painel consultivo de peritos da FDA
analisa o pedido de PMA. Não encontra evidências para
apoiar a hipótese de que os implantes com gel de silicone
causem doença.
26. Janeiro de 2004 – O comissário da FDA novamente indefere
a recomendação do painel e solicita dos fabricantes dados
adicionais com seguimento mais longo.
27. Abril de 2005 – Dados adicionais apresentados ao painel
consultivo da FDA apoiando PMA da Mentor e da Inamed.
28. Março de 2006 – A Allergan adquire a Inamed Corporation.
29. 17 de novembro de 2006 – A U.S. Food and Drug Admi-
nistration aprova o pedido da Mentor e da Allergan para
comercializar implantes de mama com silicone.
Capítulo 52 Implantes de mama: fundamentos, segurança e considerações gerais
647
Tabela 52.1A Implantes de solução salina Mentor, lisos e texturizados (Siltex®)
Perfi l moderado redondo liso
Enchimento nominal
Enchimento máximo
Vol.
Diâm.
Proj.
Vol.
Diâm.
Proj.
125 cc
9,5 cm
3,0 cm
150 cc
9,1 cm
3,4 cm
150 cc
10,0 cm
3,1 cm
175 cc
9,6 cm
3,7 cm
175 cc
10,6 cm
3,3 cm
200 cc
10,0 cm
3,9 cm
200 cc
11,0 cm
3,4 cm
225 cc
10,4 cm
3,9 cm
225 cc
11,5 cm
3,5 cm
250 cc
10,9 cm
4,0 cm
250 cc
11,9 cm
3,6 cm
275 cc
11,2 cm
4,1 cm
275 cc
12,3 cm
3,7 cm
300 cc
11,7 cm
4,2 cm
300 cc
12,6 cm
3,7 cm
325 cc
12,1 cm
4,3 cm
325 cc
13,0 cm
3,8 cm
375 cc
12,3 cm
4,5 cm
350 cc
13,3 cm
3,9 cm
400 cc
12,6 cm
4,7 cm
375 cc
13,6 cm
4,0 cm
425 cc
12,8 cm
4,8 cm
425 cc
14,2 cm
4,1 cm
475 cc
13,5 cm
4,9 cm
475 cc
15,0 cm
4,2 cm
525 cc
14,2 cm
4,9 cm
525 cc
15,0 cm
4,2 cm
575 cc
14,5 cm
5,1 cm
575 cc
15,0 cm
4,5 cm
625 cc
14,8 cm
5,1 cm
625 cc
15,2 cm
4,6 cm
700 cc
14,9 cm
5,6 cm
700 cc
15,6 cm
4,9 cm
775 cc
14,9 cm
5,8 cm
Perfi l moderado plus redondo liso
Enchimento nominal
Enchimento máximo
Vol.
Diâm.
Proj.
Vol.
Diâm.
Proj.
175 cc
9,5 cm
3,5 cm
210 cc
9,3 cm
4,2 cm
200 cc
10,0 cm
3,7 cm
240 cc
9,7 cm
4,4 cm
225 cc
10,4 cm
3,8 cm
270 cc
10,1 cm
4,6 cm
250 cc
10,8 cm
4,0 cm
300 cc
10,5 cm
4,7 cm
275 cc
11,0 cm
4,1 cm
330 cc
10,8 cm
4,9 cm
300 cc
11,5 cm
4,3 cm
360 cc
11,2 cm
5,0 cm
325 cc
11,9 cm
4,4 cm
390 cc
11,5 cm
5,2 cm
350 cc
12,1 cm
4,5 cm
420 cc
11,7 cm
5,3 cm
375 cc
12,3 cm
4,6 cm
450 cc
12,0 cm
5,4 cm
400 cc
12,6 cm
4,7 cm
480 cc
12,3 cm
5,5 cm
425 cc
12,9 cm
4,8 cm
510 cc
12,5 cm
5,6 cm
450 cc
13,0 cm
4,9 cm
540 cc
12,8 cm
5,7 cm
475 cc
13,3 cm
5,0 cm
570 cc
13,0 cm
5,8 cm
500 cc
13,6 cm
5,1 cm
600 cc
13,2 cm
5,9 cm
550 cc
14,0 cm
5,3 cm
660 cc
13,7 cm
6,1 cm
600 cc
14,5 cm
5,5 cm
720 cc
14,1 cm
6,1 cm
650 cc
14,8 cm
5,6 cm
780 cc
14,4 cm
6,5 cm
700 cc
15,2 cm
5,8 cm
840 cc
14,8 cm
6,6 cm
750 cc
15,6 cm
5,9 cm
900 cc
15,1 cm
6,8 cm
800 cc
16,1 cm
6,0 cm
960 cc
15,5 cm
7,0 cm
Perfi l alto redondo liso
Enchimento nominal
Enchimento máximo
Vol.
Diâm.
Proj.
Vol.
Diâm.
Proj.
170 cc
9,0 cm
4,0 cm
200 cc
8,8 cm
4,9 cm
190 cc
9,3 cm
4,1 cm
225 cc
9,1 cm
5,1 cm
210 cc
9,6 cm
4,2 cm
250 cc
9,5 cm
5,3 cm
230 cc
10,0 cm
4,3 cm
275 cc
9,8 cm
5,5 cm
250 cc
10,2 cm
4,5 cm
300 cc
10,0 cm
5,6 cm
270 cc
10,4 cm
4,6 cm
325 cc
10,2 cm
5,8 cm
290 cc
10,8 cm
4,7 cm
350 cc
10,5 cm
5,9 cm
310 cc
11,0 cm
4,8 cm
375 cc
10,7 cm
6,0 cm
330 cc
11,3 cm
4,8 cm
400 cc
11,0 cm
6,2 cm
380 cc
11,7 cm
5,2 cm
450 cc
11,4 cm
6,4 cm
420 cc
12,0 cm
5,4 cm
500 cc
11,7 cm
6,7 cm
460 cc
12,4 cm
5,5 cm
550 cc
12,1 cm
6,9 cm
500 cc
12,8 cm
5,6 cm
600 cc
12,4 cm
7,1 cm
560 cc
13,4 cm
5,7 cm
675 cc
13,1 cm
7,3 cm
630 cc
13,8 cm
5,9 cm
750 cc
13,4 cm
7,4 cm
Perfi l moderado redondo Siltex®
Vol.
Diâm.
Proj.
125 + 25 cc
9,5 cm
3,0 cm
150 + 25 cc
10,0 cm
3,1 cm
175 + 25 cc
10,6 cm
3,3 cm
200 + 25 cc
11,0 cm
3,4 cm
225 + 25 cc
11,5 cm
3,5 cm
250 + 25 cc
11,9 cm
3,6 cm
275 + 25 cc
12,3 cm
3,7 cm
300 + 25 cc
12,6 cm
3,7 cm
325 + 50 cc
13,0 cm
3,8 cm
350 + 50 cc
13,3 cm
3,9 cm
375 + 50 cc
13,6 cm
4,0 cm
425 + 50 cc
14,2 cm
4,1 cm
475 + 50 cc
14,8 cm
4,2 cm
Perfi l de contorno® moderado Siltex®
Vol.
Largura
Altura
Proj.
175 + 25 cc
10,2 cm
8,5 cm
4,3 cm
225 + 25 cc
11,2 cm
9,4 cm
4,5 cm
275 + 25 cc
12,2 cm
10,3 cm
4,5 cm
350 + 50 cc
13,1 cm
11,0 cm
4,7 cm
425 + 50 cc
13,8 cm
11,6 cm
5,2 cm
525 + 50 cc
14,9 cm
12,5 cm
5,6 cm
Perfi l de contorno® alto Siltex®
Vol.
Largura
Altura
Proj.
275 + 25 cc
11,5 cm
9,5 cm
5,1 cm
350 + 50 cc
12,3 cm
10,5 cm
5,3 cm
450 + 50 cc
13,2 cm
11,0 cm
6,1 cm
550 + 50 cc
14,0 cm
11,9 cm
6,4 cm
650 + 75 cc
15,0 cm
12,7 cm
6,6 cm
Tabela 52.1A cont.
Tabela 52.1B Implantes de silicone Mentor (MemoryGelTM), lisos e texturizados (Siltex®)
Perfi l baixo redondo liso, coesivo ITM
Vol.
Diâm.
Proj.
100 cc
9,4 cm
1,9 cm
125 cc
10,1 cm
2,0 cm
150 cc
10,7 cm
2,2 cm
175 cc
11,3 cm
2,3 cm
200 cc
11,7 cm
2,4 cm
225 cc
12,3 cm
2,5 cm
250 cc
12,7 cm
2,6 cm
275 cc
13,1 cm
2,7 cm
300 cc
13,5 cm
2,7 cm
325 cc
13,9 cm
2,8 cm
350 cc
14,2 cm
2,9 cm
375 cc
14,5 cm
2,9 cm
400 cc
14,8 cm
3,0 cm
450 cc
15,4 cm
3,1 cm
500 cc
16,0 cm
3,3 cm
550 cc
16,5 cm
3,4 cm
600 cc
17,0 cm
3,5 cm
Perfi l moderado redondo liso, coesivo ITM
Vol.
Diâm.
Proj.
100 cc
9,3 cm
2,1 cm
125 cc
10,0 cm
2,2 cm
150 cc
10,3 cm
2,3 cm
175 cc
11,2 cm
2,4 cm
200 cc
11,7 cm
2,5 cm
225 cc
12,2 cm
2,6 cm
250 cc
12,3 cm
2,8 cm
275 cc
13,2 cm
2,9 cm
300 cc
13,5 cm
3,0 cm
325 cc
13,9 cm
3,0 cm
350 cc
14,2 cm
3,1 cm
375 cc
14,4 cm
3,2 cm
400 cc
14,5 cm
3,2 cm
450 cc
14,9 cm
3,4 cm
500 cc
15,2 cm
3,6 cm
550 cc
15,9 cm
3,6 cm
600 cc
16,5 cm
3,7 cm
700 cc
17,4 cm
3,9 cm
800 cc
18,2 cm
4,1 cm
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
648
Tabela 52.1B cont.
Liso redondo/perfi l moderado plus coesivo I™
Vol.
Diâm.
Proj.
100 cc
8,2 cm
2,7 cm
125 cc
8,9 cm
2,8 cm
150 cc
9,5 cm
2,9 cm
175 cc
10,0 cm
3,1 cm
200 cc
10,5 cm
3,2 cm
225 cc
10,9 cm
3,3 cm
250 cc
11,3 cm
3,4 cm
275 cc
11,7 cm
3,5 cm
300 cc
12,0 cm
3,6 cm
325 cc
12,3 cm
3,7 cm
350 cc
12,5 cm
3,9 cm
375 cc
12,8 cm
4,0 cm
400 cc
13,1 cm
4,0 cm
450 cc
13,6 cm
4,2 cm
500 cc
14,1 cm
4,3 cm
550 cc
14,6 cm
4,5 cm
600 cc
15,0 cm
4,6 cm
700 cc
15,8 cm
4,9 cm
800 cc
16,5 cm
5,1 cm
Liso redondo perfi l moderado plus coesivo I™
Vol.
Diâm.
Proj.
125 cc
8,3 cm
3,5 cm
150 cc
8,8 cm
3,7 cm
175 cc
9,3 cm
3,9 cm
200 cc
9,7 cm
4,0 cm
225 cc
10,1 cm
4,2 cm
250 cc
10,5 cm
4,3 cm
275 cc
10,8 cm
4,4 cm
300 cc
11,1 cm
4,5 cm
325 cc
11,4 cm
4,6 cm
350 cc
11,7 cm
4,8 cm
375 cc
12,0 cm
4,8 cm
400 cc
12,2 cm
5,0 cm
425 cc
12,5 cm
5,0 cm
450 cc
12,8 cm
5,1 cm
500 cc
13,2 cm
5,3 cm
550 cc
13,6 cm
5,5 cm
600 cc
14,0 cm
5,6 cm
650 cc
14,4 cm
5,7 cm
700 cc
14,8 cm
5,8 cm
800 cc
15,5 cm
6,0 cm
Siltex® redondo perfi l moderada coesivo I™
Vol.
Diâm.
Proj.
100 cc
8,8 cm
2,5 cm
125 cc
9,3 cm
2,8 cm
150 cc
10,2 cm
2,7 cm
175 cc
10,7 cm
2,8 cm
200 cc
11,2 cm
2,8 cm
225 cc
11,4 cm
3,0 cm
250 cc
11,5 cm
3,3 cm
275 cc
12,4 cm
3,4 cm
300 cc
12,6 cm
3,5 cm
325 cc
12,9 cm
3,6 cm
350 cc
13,4 cm
3,7 cm
375 cc
13,4 cm
3,8 cm
400 cc
13,5 cm
3,9 cm
450 cc
13,9 cm
4,1 cm
500 cc
14,2 cm
4,3 cm
550 cc
14,8 cm
4,4 cm
600 cc
15,4 cm
4,5 cm
700 cc
16,8 cm
4,3 cm
800 cc
17,2 cm
4,6 cm
Siltex® redondo perfi l moderado plus coesivo I™
Vol.
Diâm.
Proj.
100 cc
8,1 cm
2,7 cm
125 cc
8,8 cm
2,9 cm
150 cc
9,4 cm
3,0 cm
175 cc
10,0 cm
3,2 cm
200 cc
10,5 cm
3,3 cm
225 cc
10,9 cm
3,5 cm
250 cc
11,3 cm
3,6 cm
275 cc
11,7 cm
3,7 cm
300 cc
12,0 cm
3,7 cm
325 cc
12,3 cm
3,8 cm
350 cc
12,6 cm
3,8 cm
375 cc
12,9 cm
3,9 cm
400 cc
13,2 cm
4,0 cm
450 cc
13,7 cm
4,1 cm
500 cc
14,1 cm
4,2 cm
550 cc
14,4 cm
4,4 cm
600 cc
14,7 cm
4,5 cm
700 cc
15,7 cm
4,8 cm
800 cc
16,6 cm
5,0 cm
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
650
Tabela 52.1B cont.
Perfi l alto redondo Siltex®, coesivo ITM
Vol.
Diâm.
Proj.
125 cc
8,4 cm
3,6 cm
150 cc
8,9 cm
3,8 cm
175 cc
9,4 cm
4,0 cm
200 cc
9,9 cm
4,1 cm
225 cc
10,2 cm
4,3 cm
250 cc
10,5 cm
4,5 cm
275 cc
10,9 cm
4,6 cm
300 cc
11,1 cm
4,7 cm
325 cc
11,5 cm
4,8 cm
350 cc
11,7 cm
4,9 cm
375 cc
12,0 cm
5,0 cm
400 cc
12,3 cm
5,1 cm
425 cc
12,5 cm
5,2 cm
450 cc
12,7 cm
5,2 cm
500 cc
13,2 cm
5,4 cm
550 cc
13,5 cm
5,6 cm
600 cc
14,0 cm
5,7 cm
650 cc
14,3 cm
5,8 cm
700 cc
14,7 cm
6,0 cm
800 cc
15,4 cm
6,3 cm
Perfi l ultra-alto redondo Siltex®, coesivo ITM
Vol.
Diâm.
Proj.
135 cc
8,0 cm
4,3 cm
160 cc
8,4 cm
4,5 cm
185 cc
8,6 cm
4,6 cm
215 cc
8,9 cm
4,7 cm
240 cc
9,2 cm
4,9 cm
270 cc
9,5 cm
5,0 cm
295 cc
9,9 cm
5,2 cm
320 cc
10,0 cm
5,3 cm
350 cc
10,3 cm
5,4 cm
375 cc
10,5 cm
5,5 cm
400 cc
10,8 cm
5,6 cm
430 cc
11,1 cm
5,8 cm
455 cc
11,3 cm
5,9 cm
480 cc
11,6 cm
6,0 cm
535 cc
12,1 cm
6,3 cm
590 cc
12,6 cm
6,5 cm
640 cc
13,1 cm
6,8 cm
695 cc
13,6 cm
7,0 cm
Uma revisão da literatura sobre o assunto demonstrou
numerosos relatos anedóticos e clínicos das décadas de 1980 e
1990, os quais levantam a possibilidade de reação imunológica
pela exposição ao silicone. Mais recentemente, contudo, revi-
sões abrangentes da literatura, como a de Holmich et al., refor-
çam os grandes estudos epidemiológicos e metanálises que
concluem, de modo semelhante, que não há conexão entre os
implantes de silicone e doenças defi nidas do tecido conjuntivo
ou síndromes atípicas indefi nidas do tecido conjuntivo.
Também foram levantadas perguntas sobre a relação dos
implantes e câncer de mama ao longo dos anos, e relatos ane-
dóticos sugeriram possíveis ligações. São preocupações comuns
a demora na detecção e a diminuição das taxas de sobrevida no
câncer de mama para mulheres que contemplem o aumento
das mamas. Deapen (2007) fez uma revisão metódica de 21
estudos de coortes e de casos-controles, representando nove
populações diferentes do mundo todo. Os dados de numerosas
localidades nos Estados Unidos, bem como da Dinamarca,
Suécia, Finlândia, Canadá, Austrália e Escócia, demonstraram
consistentemente não haver aumento do risco de câncer. De
fato, em muitos estudos, diminuiu o risco relativo. Além disso,
os riscos na demora para detectar e na piora do prognóstico,
não trazem sustentação com evidências consistentes.
É preciso observar que existem artigos demonstrando que a
mamografi a de triagem é discretamente comprometida nas
pacientes com implantes de silicone ou salina. A taxa de falso-
negativos pode ser mais alta, já que se visualiza menor quanti-
dade de tecido. As mulheres com implantes de mama precisam
de técnicas de deslocamento especiais (ou seja, o protocolo
Eklin) para aumentar a efi cácia da mamografi a, e também po-
dem necessitar de exames adicionais, como ultrassonografi a ou
RM, para completar a investigação de um achado questionável.
A mamografi a, contudo, continua a ser a ferramenta diagnóstica
de escolha para essas mulheres. Apesar do aumento da difi cul-
dade para triar as pacientes com aumento de mama, muitos
estudos têm demonstrado que o tamanho do tumor, o estágio
da doença, as taxas de recidiva e a sobrevida permanecem iguais
nas pacientes aumentadas.
São igualmente tranquilizadores os achados do Instituto de
Medicina da Academia Nacional de Ciências, que, em 1999, foi
comissionado através de legislação do Congresso para estudar
a segurança dos implantes de silicone para mama. O relatório
de 400 páginas do Instituto de Medicina, feito por um comitê
independente de 13 cientistas, não demonstrou ligação causal
entre os implantes de silicone e doenças sistêmicas. De modo
semelhante, não se sentiu que os implantes fossem a causa de
nenhum transtorno do tecido conjuntivo ou câncer. Eles con-
Capítulo 52 Implantes de mama: fundamentos, segurança e considerações gerais
651
Tabela 52.1C Implantes de solução salina Allergan (Coleção NatrelleTM), redondos lisos: estilo 68 e texturizados (BioCell®): estilo 168, 468, 163 e 363
Válvula com diafragma anterior Estilo 68 LP, perfi l baixo
Dimensões com
volume mínimo
Dimensões com
volume máximo
Vol.
Diâm. A
Proj. B
Diâm. A
Proj. B
125–145 cc
9,5 cm
2,6 cm
9,3 cm
3,2 cm
150–170 cc
10,0 cm
2,7 cm
9,9 cm
3,2 cm
175–195 cc
10,6 cm
2,8 cm
10,4 cm
3,3 cm
200–220 cc
11,0 cm
3,0 cm
10,9 cm
3,4 cm
225–245 cc
11,4 cm
3,1 cm
11,3 cm
3,4 cm
250–270 cc
11,9 cm
3,2 cm
11,7 cm
3,5 cm
275–295 cc
12,2 cm
3,3 cm
12,1 cm
3,6 cm
300–320 cc
12,5 cm
3,4 cm
12,4 cm
3,7 cm
325–345 cc
12,9 cm
3,5 cm
12,7 cm
3,8 cm
350–370 cc
13,3 cm
3,6 cm
13,2 cm
3,8 cm
400–420 cc
13,5 cm
3,8 cm
13,4 cm
4,2 cm
420–440 cc
13,9 cm
3,9 cm
13,8 cm
4,1 cm
440–460 cc
14,2 cm
3,9 cm
14,1 cm
4,1 cm
480–500 cc
14,5 cm
4,0 cm
14,4 cm
4,3 cm
525–545 cc
14,8 cm
4,2 cm
14,7 cm
4,5 cm
550–570 cc
15,1 cm
4,3 cm
15,0 cm
4,5 cm
600–620 cc
15,4 cm
4,4 cm
15,3 cm
4,6 cm
640–660 cc
15,8 cm
4,5 cm
15,7 cm
4,7 cm
680–700 cc
16,2 cm
4,5 cm
16,1 cm
4,7 cm
Válvula com diafragma anterior Estilo 68 MP, perfi l
moderado
Dimensões com volume mínimo
Vol.
Diâm. A
Proj. B
120–150 cc
9,0 cm
3,0 cm
150–180 cc
9,6 cm
3,3 cm
180–210 cc
10,2 cm
3,4 cm
210–240 cc
10,6 cm
3,7 cm
240–270 cc
11,1 cm
3,8 cm
270–300 cc
11,6 cm
3,9 cm
300–330 cc
11,9 cm
4,1 cm
330–360 cc
12,3 cm
4,2 cm
360–390 cc
12,7 cm
4,2 cm
390–420 cc
13,0 cm
4,5 cm
420–450 cc
13,4 cm
4,5 cm
450–480 cc
13,7 cm
4,6 cm
480–510 cc
14,1 cm
4,6 cm
510–540 cc
14,4 cm
4,6 cm
550–600 cc
14,6 cm
4,9 cm
600–650 cc
15,0 cm
5,0 cm
650–700 cc
15,2 cm
5,3 cm
700–750 cc
15,6 cm
5,4 cm
750–800 cc
15,9 cm
5,6 cm
800–850 cc
16,4 cm
5,6 cm
cluíram, contudo, que os implantes de mama eram responsá-
veis por problemas localizados, como a contratura capsular.
Têm sido conduzidas numerosas revisões independentes
sobre a segurança dos implantes de mama, como a do Instituto
de Medicina. Elas incluem os trabalhos realizados pela Organi-
zação Mundial da Saúde, a Health Canada e o Comitê Europeu
sobre Garantia de Qualidade e Dispositivos Médicos em Cirurgia
Plástica. Todos chegaram a conclusões semelhantes com referên-
cia à segurança e efi cácia dos implantes de mama com silicone.
As preocupações das pacientes com referência à segurança
dos dispositivos devem ser abordadas em qualquer consulta
para aumento das mamas. Muitas das pacientes não serão acal-
madas pela confl uência de evidências, demonstrando a segu-
rança dos implantes de silicone, nem devem ser convencidas.
Vão dormir melhor à noite depois de escolherem a de solução
salina para aumento das mamas. Por outro lado, as vantagens
do aumento com implante de silicone, podem melhorar dras-
ticamente a satisfação nas pacientes que estejam interessadas
em silicone mas tenham reservas quanto à sua segurança. O
cirurgião precisa ser capaz de analisar as controvérsias passadas
e as evidências científi cas atuais que respaldam sua segurança,
para que as pacientes se sintam à vontade com sua decisão.
Complicações
Durante toda a controvérsia que cerca a tecnologia dos implan-
tes de mama, um enorme benefício que aconteceu, foi a grande
quantidade de dados que agora estão à disposição, referentes à
sua efi cácia e segurança. Os implantes de mama se tornaram o
implante médico mais amplamente estudado no mercado. O
que fi ca claro desses dados é que, conquanto não pareça que
doenças sistêmicas resultem dos implantes de mama com sili-
cone, sempre houve alta taxa de complicações locais.
Os estudos de aprovação pré-comercialização (PMA) Inamed
e Mentor Core foram desenhados para abordar a questão das
complicações associadas aos dispositivos. A recente reintrodu-
ção dos implantes de silicone no mercado dos Estados Unidos
se baseia em dados fornecidos por esses estudos com 10 anos
Tabela 52.1C cont.
Válvula com diafragma anterior estilo 68 HP,
perfi l alto
Dimensões com
volume mínimo
Dimensões com
volume máximo
Vol.
Diâm. A
Proj. B
Diâm. A
Proj. B
160–175 cc
9,0 cm
3,9 cm
8,8 cm
4,3 cm
200–220 cc
9,6 cm
4,2 cm
9,5 cm
4,6 cm
240–260 cc
10,2 cm
4,4 cm
10,0 cm
5,0 cm
280–300 cc
10,6 cm
4,7 cm
10,5 cm
5,2 cm
320–340 cc
11,1 cm
4,9 cm
11,0 cm
5,3 cm
350–380 cc
11,6 cm
4,9 cm
11,4 cm
5,5 cm
400–430 cc
11,9 cm
5,0 cm
11,7 cm
5,9 cm
425–455 cc
12,3 cm
5,3 cm
12,1 cm
5,9 cm
465–505 cc
12,6 cm
5,6 cm
12,5 cm
6,1 cm
500–540 cc
13,0 cm
5,7 cm
12,8 cm
6,3 cm
550–590 cc
13,3 cm
5,8 cm
13,1 cm
6,4 cm
600–640 cc
13,7 cm
6,0 cm
13,5 cm
6,6 cm
650–700 cc
14,0 cm
6,1 cm
13,8 cm
6,9 cm
700–750 cc
14,4 cm
6,2 cm
14,1 cm
7,1 cm
750–800 cc
14,6 cm
6,5 cm
14,4 cm
7,2 cm
800–850 cc
15,0 cm
6,7 cm
14,7 cm
7,2 cm
Válvula com diafragma anterior estilo 468, altura
plena
Vol.
Largura A
Altura B
Proj. C
195–205 cc
10,0 cm
10,5 cm
4,0 cm
230–240 cc
10,5 cm
11,0 cm
4,2 cm
270–285 cc
11,0 cm
11,5 cm
4,3 cm
300–315 cc
11,5 cm
12,0 cm
4,6 cm
350–370 cc
12,0 cm
12,5 cm
4,8 cm
380–400 cc
12,5 cm
13,0 cm
4,9 cm
450–475 cc
13,0 cm
13,5 cm
5,3 cm
495–520 cc
13,5 cm
14,0 cm
5,5 cm
560–590 cc
14,0 cm
14,5 cm
5,7 cm
620–650 cc
14,5 cm
15,0 cm
5,9 cm
Válvula com diafragma posterior estilo 163 LF,
altura plena
Vol.
Largura A
Altura B
Proj. C
360–380 cc
12,0 cm
12,8 cm
4,9 cm
440–460 cc
12,8 cm
13,6 cm
5,2 cm
530–555 cc
13,5 cm
14,6 cm
5,5 cm
655–690 cc
14,6 cm
15,6 cm
5,8 cm
780–820 cc
15,5 cm
16,5 cm
6,1 cm
Válvula com diafragma anterior estilo 168, perfi l
moderado redondo
Vol.
Diâm. A
Proj. A
120–150 cc
9,0 cm
3,0 cm
150–180 cc
9,6 cm
3,3 cm
180–210 cc
10,2 cm
3,4 cm
210–240 cc
10,6 cm
3,7 cm
240–270 cc
11,1 cm
3,8 cm
270–300 cc
11,6 cm
3,9 cm
300–330 cc
11,9 cm
4,1 cm
330–360 cc
12,3 cm
4,2 cm
360–390 cc
12,7 cm
4,2 cm
390–420 cc
13,0 cm
4,5 cm
450–480 cc
13,7 cm
4,6 cm
480–510 cc
14,1 cm
4,6 cm
510–540 cc
14,4 cm
4,6 cm
550–600 cc
14,6 cm
4,9 cm
600–650 cc
15,0 cm
5,0 cm
650–700 cc
15,2 cm
5,3 cm
700–750 cc
15,6 cm
5,4 cm
750–800 cc
15,9 cm
5,6 cm
800–850 cc
16,4 cm
5,6 cm
Válvula com diafragma anterior projeção estilo
363 LF, plena altura baixa
Vol.
Largura A
Altura B
Proj. C
170–180 cc
10,4 cm
8,6 cm
4,2 cm
200–210 cc
10,8 cm
9,0 cm
4,5 cm
230–240 cc
11,2 cm
9,4 cm
4,7 cm
260–275 cc
11,8 cm
9,8 cm
4,9 cm
300–315 cc
12,2 cm
10,2 cm
5,1 cm
330–350 cc
12,6 cm
10,6 cm
5,3 cm
370–390 cc
13,0 cm
11,0 cm
5,5 cm
410–430 cc
13,6 cm
11,4 cm
5,6 cm
450–475 cc
14,0 cm
11,8 cm
5,8 cm
510–535 cc
14,4 cm
12,2 cm
6,1 cm
560–585 cc
15,0 cm
12,6 cm
6,2 cm
620–645 cc
15,4 cm
13,0 cm
6,5 cm
690–720 cc
15,8 cm
13,4 cm
6,8 cm
Tabela 52.1D Implantes de silicone Allergan (Coleção NatrelleTM), redondo liso: estilo 10-estilo 45. Texturizado (BioCell®): estilo 110- estilo 120
Estilo 10 perfi l moderado
Vol.
Diâm. A
Proj. B
120 cc
9,4 cm
2,5 cm
150 cc
10,1 cm
2,7 cm
180 cc
10,7 cm
2,9 cm
210 cc
11,5 cm
3,0 cm
240 cc
11,7 cm
3,2 cm
270 cc
12,2 cm
3,3 cm
300 cc
12,6 cm
3,5 cm
330 cc
13,0 cm
3,6 cm
360 cc
13,4 cm
3,7 cm
390 cc
13,6 cm
3,8 cm
420 cc
14,0 cm
3,8 cm
450 cc
14,4 cm
3,9 cm
480 cc
14,8 cm
3,9 cm
510 cc
15,1 cm
4,0 cm
550 cc
15,4 cm
4,0 cm
600 cc
15,8 cm
4,3 cm
650 cc
16,0 cm
4,5 cm
700 cc
16,4 cm
4,6 cm
750 cc
16,8 cm
4,8 cm
800 cc
17,2 cm
4,9 cm
Estilo 20 perfi l alto
Vol.
Diâm. A
Proj. B
120 cc
9,0 cm
2,7 cm
140 cc
9,1 cm
3,3 cm
160 cc
9,4 cm
3,5 cm
180 cc
9,6 cm
3,8 cm
200 cc
9,7 cm
4,0 cm
230 cc
10,0 cm
4,2 cm
260 cc
10,4 cm
4,3 cm
280 cc
10,6 cm
4,5 cm
300 cc
10,9 cm
4,5 cm
325 cc
11,2 cm
4,6 cm
350 cc
11,4 cm
4,9 cm
375 cc
11,7 cm
4,9 cm
400 cc
11,9 cm
5,0 cm
425 cc
12,0 cm
5,2 cm
450 cc
12,4 cm
5,2 cm
475 cc
12,6 cm
5,5 cm
500 cc
13,0 cm
5,2 cm
550 cc
13,5 cm
5,6 cm
600 cc
13,8 cm
5,7 cm
650 cc
14,2 cm
5,9 cm
700 cc
14,5 cm
6,2 cm
750 cc
15,0 cm
6,0 cm
800 cc
15,3 cm
6,1 cm
Estilo 40 perfi l moderado
Vol.
Diâm. A
Proj. B
80 cc
8,8 cm
1,7 cm
100 cc
8,9 cm
2,2 cm
120 cc
9,1 cm
2,5 cm
140 cc
9,4 cm
2,7 cm
160 cc
9,7 cm
3,1 cm
180 cc
10,0 cm
3,3 cm
200 cc
10,2 cm
3,5 cm
220 cc
10,5 cm
3,6 cm
240 cc
10,9 cm
3,7 cm
260 cc
11,2 cm
3,8 cm
280 cc
11,4 cm
3,8 cm
300 cc
11,7 cm
3,9 cm
320 cc
12,0 cm
3,9 cm
340 cc
12,3 cm
4,0 cm
360 cc
12,5 cm
4,1 cm
400 cc
12,7 cm
4,2 cm
460 cc
13,8 cm
4,2 cm
500 cc
14,2 cm
4,3 cm
560 cc
14,7 cm
4,6 cm
Estilo 15 perfi l faixa média
Vol.
Diâm. A
Proj. B
158 cc
9,5 cm
3,2 cm
176 cc
9,9 cm
3,3 cm
194 cc
10,3 cm
3,4 cm
213 cc
10,6 cm
3,5 cm
234 cc
10,9 cm
3,6 cm
265 cc
11,4 cm
3,7 cm
286 cc
11,7 cm
3,8 cm
304 cc
11,9 cm
4,0 cm
339 cc
12,4 cm
4,0 cm
397 cc
13,1 cm
4,2 cm
421 cc
13,3 cm
4,3 cm
457 cc
13,7 cm
4,5 cm
492 cc
14,0 cm
4,6 cm
533 cc
14,4 cm
4,7 cm
575 cc
14,8 cm
4,8 cm
616 cc
15,2 cm
4,9 cm
659 cc
15,4 cm
5,0 cm
700 cc
15,8 cm
5,1 cm
752 cc
16,2 cm
5,2 cm
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
654
Tabela 52.1D cont.
Estilo 45 perfi l pleno
Vol.
Diâm. A
Proj. B
120 cc
7,4 cm
3,6 cm
160 cc
8,2 cm
3,8 cm
200 cc
9,0 cm
4,1 cm
240 cc
9,6 cm
4,3 cm
280 cc
10,0 cm
4,6 cm
320 cc
10,4 cm
4,8 cm
360 cc
10,8 cm
5,1 cm
400 cc
11,2 cm
5,1 cm
460 cc
11,4 cm
5,9 cm
500 cc
11,9 cm
5,7 cm
550 cc
12,4 cm
6,0 cm
600 cc
12,8 cm
6,1 cm
650 cc
13,2 cm
6,2 cm
700 cc
13,5 cm
6,4 cm
800 cc
14,2 cm
6,7 cm
Estilo 110 perfi l moderado
Implante
Diâm. A
Proj. B
90 cc
8,7 cm
2,0 cm
120 cc
9,0 cm
2,4 cm
150 cc
9,7 cm
2,5 cm
180 cc
10,3 cm
2,7 cm
210 cc
11,1 cm
2,8 cm
240 cc
11,7 cm
2,9 cm
270 cc
12,3 cm
3,0 cm
300 cc
12,6 cm
3,1 cm
330 cc
12,8 cm
3,1 cm
360 cc
13,5 cm
3,2 cm
390 cc
13,7 cm
3,2 cm
420 cc
13,9 cm
3,3 cm
450 cc
14,3 cm
3,3 cm
480 cc
15,1 cm
3,3 cm
510 cc
15,5 cm
3,4 cm
Estilo 115 perfi l faixa média
Vol.
Diâm. A
Proj. B
150 cc
9,7 cm
3,1 cm
167 cc
10,0 cm
3,2 cm
185 cc
10,4 cm
3,3 cm
203 cc
10,7 cm
3,3 cm
222 cc
11,0 cm
3,5 cm
253 cc
11,6 cm
3,6 cm
272 cc
11,8 cm
3,7 cm
290 cc
12,0 cm
3,8 cm
322 cc
12,5 cm
3,9 cm
354 cc
13,0 cm
4,0 cm
378 cc
13,2 cm
4,1 cm
401 cc
13,4 cm
4,2 cm
435 cc
13,8 cm
4,3 cm
469 cc
14,1 cm
4,4 cm
507 cc
14,5 cm
4,5 cm
547 cc
14,9 cm
4,5 cm
586 cc
15,3 cm
4,6 cm
627 cc
15,6 cm
4,8 cm
666 cc
16,0 cm
4,9 cm
716 cc
16,4 cm
5,0 cm
Estilo 120 perfi l alto
Vol.
Diâm. A
Proj. B
180 cc
9,4 cm
3,3 cm
220 cc
9,9 cm
3,7 cm
260 cc
10,6 cm
4,0 cm
300 cc
11,0 cm
4,2 cm
340 cc
11,5 cm
4,3 cm
400 cc
12,1 cm
4,5 cm
440 cc
12,7 cm
4,6 cm
500 cc
13,5 cm
4,7 cm
550 cc
13,9 cm
4,8 cm
600 cc
14,5 cm
4,9 cm
650 cc
15,5 cm
5,0 cm
Capítulo 52 Implantes de mama: fundamentos, segurança e considerações gerais
655
Fig. 52.1 Implantes de mama com solução salina e silicone, fabricados pela Mentor e a Inamed. Estão à disposição em ampla variedade de
tamanhos, formas e texturas. A, Implante redondo liso de silicone gel da Allergan. B, Implantes de silicone gel Allergan Estilo 10, 15, 20 e 40.
C, Implantes de silicone BioCell texturizados Estilo 110, 115, 120. D, Implantes de silicone gel e de solução salina. E, Concha vazia de implante de
solução salina, tubo conector e seringa para enchimento. F, Implante de solução salina com válvula. G, Implantes de solução salina Allergan estilo 68
com baixo e alto perfi l. H, Conchas texturizadas e lisas de implantes de solução salina. I, Implantes de silicone gel texturizados Mentor Siltex e
Allergan BioCell. J, K, Implantes de solução salina moldados texturizados Allergan BioCell. L-N, Implantes cheios de gel altamente coesivo Allergan
Estilo 410 em perfi l e cortados ao meio. O gel altamente coesivo não vaza, mesmo depois que o implante é cortado. O, Implante de silicone gel
Allergan Estilo 410 e Estilo 15. O implante de gel estável na forma altamente coesiva consiste em silicone com alta ligação cruzada que retém sua
forma na posição ereta, preservando a plenitude do polo superior e as dimensões anatômicas. P, Estilo 410 e 15 cortados ao meio. O aumento da
coesão da quarta e quinta gerações dos implantes com gel limita o vazamento de silicone dos implantes quando se rompem.
A
P
O
N
M
L
K
J
I
H
G
F
E
D
C
B
de duração. Mais recentemente, foram disponibilizados os
dados de seis anos da Inamed e de três anos da Mentor. Esses
dados relatam as taxas mais atuais de complicações associadas
à atual geração de implantes de silicone. Há algum tempo,
foram disponibilizados dados semelhantes sobre os implantes
de solução salina.
Talvez sejam mais pertinentes as taxas de contratura capsu-
lar e da necessidade de cirurgias secundárias. A ruptura dos
implantes, conquanto uma preocupação signifi cativa, não foi
ocorrência comum em nenhum dos estudos. A taxa de contra-
tura grau III ou IV, no estudo Inamed após seis anos, foi de
aproximadamente 15% para as pacientes com aumento primá-
rio e de apenas 8% no estudo Mentor após três anos.
Além das complicações locais, a taxa de cirurgias de revisão
também estabelece um critério ao avaliar a efi cácia dos implan-
tes de mama. Nos primeiros seis anos do estudo Inamed, 28%
das mulheres necessitaram de cirurgia de revisão. A razão pri-
mária para a revisão foi a contratura capsular. A segunda razão
Fig. 52.2 O estilo 410 da Allergan foi o primeiro implante de gel
estável em forma altamente coesiva desenvolvido. A linha de produtos
410 inclui 12 formas diferentes para qualquer dado volume. Essas 12
formas constituem o que chamam de “Matriz 410”.
Baixa
projeção
FL
FM
FF
FX
ML
MM
MF
MX
LL
LM
LF
LX
Projeção
moderada
Projeção
plena
Projeção
extra
Altura baixa
Altura plena
Altura moderada
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
656
Fig. 52.3 O implante Mentor CPG (Contour Profi le Gel) [gel de perfi l
de contorno] é o implante com gel estável em forma altamente coesiva
da Mentor. Elaborado para competir com o estilo 410 da Allergan,
inicialmente havia apenas um tamanho do CPG. Agora é apresentado
em várias alturas e projeções. O gel de CPG é formulado para ser um
pouco mais mole do que o 410. O acesso ainda é limitado nos Estados
Unidos.
CPG
TM 322
Legenda de Nomes do CPGTM
CPG
TM 332
CPG
TM 312
CPG
TM 322
CPG
TM 323
Nível de
coesão
Chave:
Número 1 = Nível de coesão
Número 2 = Altura do implante
Número 3 = Projeção do implante
Altura do
implante
Projeção
do implante
III
3
Alta
3
Alta
3
II
2
Média
2
Moderada
2
I
1
Baixa
1
Moderada
1
Tabela 52.2 Gerações de implantes
O desenho dos implantes tem avançado nas mudanças dos pontos
de referência, que denotam clara demarcação das gerações. Os
implantes da atual geração têm conchas espessas com múltiplas
camadas, camadas de barreira, géis de silicone mais coesivos e estão
à disposição em numerosas texturas e formas.
Geração do
implante
Período
de tempo
Características
Primeira geração
Década de
1960
Concha espessa
Gel viscoso
Liso, com formato
anatômico
Taxa alta de contratura
capsular
Segunda geração
Década de
1970
Concha mais fi na
Forma redonda lisa
Gel menos viscoso
Difusão do silicone para o
tecido em torno
Falha do dispositivo no
longo prazo
Terceira geração
Década de
1980
Concha espessa em
múltiplas camadas
Revestimento com
barreira
Géis mais viscosos
Redução do sangramento
e das falhas dos
implantes
Quarta geração
1993-
presente
Semelhante à 3a geração;
entretanto, com
diretrizes de desenho
mais rígidas para a
concha e a coesão do gel
Quinta geração
1993-
presente
Géis estáveis na forma e
com maior coesão
mais comum foi a escolha da paciente e o desejo de mudança
do tamanho ou do implante. Apesar das taxas de complicações,
os dados da Inamed relataram taxa de satisfação de 95% após
seis anos (Tabelas 52.3 e 52.4).
Diagnóstico de ruptura do implante de
silicone na mama
Embora dados atuais indiquem que seja relativamente baixo
(0,5-3,5%) o risco de ruptura do implante de silicone gel nos
implantes de última geração, e estudos passados incluíram os
implantes das primeiras gerações, indicando taxas de ruptura
que variam de 0-69%. As taxas de ruptura dos implantes de
gerações mais recentes tendem a variar na faixa de um dígito,
sendo que um estudo de Heden et al. demonstrou taxa de
ruptura de 1% nos implantes de silicone estilo 410 da Inamed
após seis anos. A capacidade de diagnosticar apropriadamente
a ruptura do implante é crítica para a conduta cirúrgica e a
tranquilidade da paciente. Além disso, a reintrodução dos
implantes de gel no mercado dos Estados Unidos se deu com
Tabela 52.3 Estudos centrais dos implantes mamários de
silicone Mentor e Allergan
Esta tabela e a próxima demonstram as complicações mais comuns
dos implantes de mama e suas taxas de incidência associadas. Esses
dados são de relatórios de estudos publicados patrocinados pelos
fabricantes dos implantes para os implantes com solução salina e
com silicone. Os estudos centrais sobre implantes de silicone
representam os trabalhos mais recentemente publicados dos dados
existentes apresentados pelos fabricantes para a PMA. Esses estudos
estão em andamento e, portanto, as taxas de complicações bem
podem se elevar à medida que evolui o longo do implante.
Complicação
Silicone
Mentor
(3 anos)
Silicone
Inamed
(6 anos)
Reoperação
15,4%
28%
Contratura capsular
Baker grau III/IV
8,1%
14,8%
Remoção com substituição
2,8%
10,0%
Remoção sem substituição
2,3%
2,8%
Dor nas mamas
1,7%
9,6%
Ruptura
0,5%
3,5%
Capítulo 52 Implantes de mama: fundamentos, segurança e considerações gerais
657
sular e vazamento, mas muitíssimo limitada para identifi car
processos intracapsulares. Enfi m, a RM continua a ser a moda-
lidade de escolha, com especifi cidade e sensibilidade acima de
90%.
Avaliação física
Medidas da paciente e tamanho do implante
Ao avaliar uma paciente no pré-operatório quanto ao tamanho
do implante, é crítico equilibrar os desejos da paciente com as
características teciduais e corpóreas. O resultado desejado costuma
ser simplifi cado em tamanho ou volume da taça do sutiã pelo
cirurgião e a paciente, e isso deve ser evitado. Tentar chegar a um
resultado com base no tamanho de taça arbitrário pode deixar a
paciente desapontada se isso não se cumprir. Além disso, uma
tentativa superzelosa de chegar ao tamanho ou volume de taça
desejado, sem levar em conta as características do tecido, pode
levar a um resultado sem naturalidade.
A avaliação apropriada de uma paciente, no pré-operatório,
inclui registrar medidas e pontos de referência básicos. O cirur-
gião deve avaliar e demonstrar à paciente qualquer assimetria
que exista no pré-operatório, especifi camente no tamanho e
forma da mama, bem como na posição do complexo aréolo-
papilar. Tais assimetrias são comuns e podem não ter sido
reconhecidas pela paciente antes da consulta. Se não documen-
tadas por fotos, nem demonstradas à paciente no pré-operató-
rio, poderão ser observadas depois da cirurgia, sendo então a
culpa colocada no cirurgião.
Devem ser documentados os pontos de referência e medidas
básicas para ajudar a avaliar o tamanho do implante e a neces-
sidade de possível mastopexia. Algumas dessas medidas incluem
a distância da furcula esternal ao complexo aréolo-papilar
(IE:CMA), distância da papila ao sulco inframamário (M:SIM)
e largura da mama ou diâmetro da base (LM).
Finalmente, o benefício dessas medidas é permitir que o
cirurgião faça corresponder as características da paciente ao
implante correto e às dimensões correspondentes, o que levará
a melhor resultado estético. A largura da mama é uma das
medidas que, combinada à projeção desejada pela paciente,
pode ser comparada ao diâmetro e projeção do implante, para
permitir que o cirurgião escolha o tamanho apropriado de
implante. Usar as dimensões do implante e da mama, em lugar
dos volumes, permitirá um resultado mais natural.
Têm sido descritos vários métodos para determinar o
tamanho do implante. Finalmente, ele deve ser determinado
pelas características da mama e da parede torácica da paciente.
Outras características que podem ser levadas em consideração,
incluem a espessura e a complacência do revestimento da mama.
O sistema TEPID de Tebbetts e o sistema de planejamento pré-
operatório BioDimensional® da Inamed, bem como o sistema
mais recente de avaliação pré-operatória, o High Five, incluem
medidas que quantifi cam a espessura e a complacência do reves-
timento da mama, bem como a quantidade de parênquima.
Finalmente, qualquer sistema de medidas pré-operatórias
para determinar o tamanho do implante precisa se basear nas
características do tecido. Os implantes hoje à disposição têm
perfi l baixo, médio e alto, com larguras da base e formas vari-
áveis para acomodar a variabilidade das pacientes. Não levar
em conta essas variáveis levará a maus resultados estéticos e a
aumento das taxas de complicações no longo prazo, já que o
Tabela 52.4 Estudos sobre implantes de solução salina Mentor
e Inamed (Allergan A95)
Complicação
Salina
Mentor
(5 anos)
Silicone
Inamed
(5 anos)
n = 1.264
pacientes
n = 901
pacientes
Reoperação
20%
26%
Contratura capsular
Baker grau III/IV
10%
11%
Remoção do implante
14%
12%
Defl ação do implante
10%
7%
Dor nas mamas
7%
17%
diretrizes específi cas estabelecidas pela FDA para vigilância e
rastreamento do seu uso. Todas as pacientes precisam ser infor-
madas de que a FDA recomenda vigilância com RM a cada dois
anos, iniciando-se três anos após o aumento mamário.
A ressonância magnética das mamas tem a mais alta sensibi-
lidade e especifi cidade para detecção de ruptura e é a modalidade
de escolha; entretanto, podem ser usadas outras modalidades,
como TC, ultrassonografi a e mamografi a, e podem ser apropria-
das em várias situações.
Os implantes de primeira geração tinham taxas mais altas
de ruptura do que os atuais implantes de silicone, e vários
achados radiológicos se tornaram clássicos em diagnosticar tais
rupturas. O silicone liberado de um implante que se rompeu
pode permanecer intracapsular ou escapar da cápsula fi brosa e
se tornar extracapsular. Cerca de 80-90% de todas as rupturas
de implantes de silicone tendem a ser intracapsulares, sem
propagação do silicone ao parênquima vizinho. As rupturas
podem ser acompanhadas por colapso da concha do implante,
comum nos implantes de segunda geração com conchas macias,
resultando no clássico sinal do “linguine” em RM ou TC. O
diagnóstico por ultrassonografi a exige mais em termos de
técnica e é dependente da usuária, mas também pode ser feito,
nesse caso, com o clássico sinal “da escada portátil”. Uma
ruptura de implante sem colapso pode demonstrar acúmulo do
gel de silicone em torno do implante e nas dobras, o que sub-
sequentemente se torna o clássico sinal da lágrima invertida,
mas não demonstra sinal do “linguine”, pois não há colapso da
concha do implante fl utuando no gel de silicone. Isso é mais
comum com os implantes de geração mais recente, que possuem
gel mais coesivo.
Há numerosas limitações e contraindicações à RM, como
dispositivos metálicos implantados, claustrofobia, limitações
do peso e custo. A TC pode ser um excelente substituto, mas
expõe a paciente à radiação. Dadas as recomendações atuais da
FDA para vigilância por imagens sequenciais para descartar a
ruptura dos implantes, poderia tornar-se preocupante a exposi-
ção cumulativa à radiação com a TC. A ultrassonografi a, con-
quanto muito custo-efetiva, é altamente dependente da usuária
e limitada pela interferência em casos de ruptura extracapsular.
Finalmente, a mamografi a é excelente para a ruptura extracap-
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
658
Todos os três locais de acesso citados permitem a colocação
do implante subglandular, subpeitoral e em plano duplo. Deve
ser evitada a divulsão da bolsa do implante, em favor da dis-
secção com bisturi sob visualização direta para minimizar o
sangramento e maximizar o controle sobre a bolsa do implante.
Isso minimiza o processo infl amatório dos tecidos, que pode
ocorrer secundariamente à hemorragia, e teoricamente reduzi-
ria as taxas de contraturas associadas. Também permitirá um
posicionamento mais preciso do implante.
A escolha do local da incisão depende muito da preferência
da paciente e do cirurgião. Certos achados físicos devem desem-
penhar um papel no processo de escolha. Por exemplo, se o
complexo aréola-papilar for pequeno, será difícil introduzir um
grande implante de silicone através desse local, sendo preferível
uma incisão no SIM. Inversamente, a incisão periareolar tende
a se fechar bem com excelente camufl agem. Ao usar a aborda-
gem pelo SIM, a incisão deverá ser deslocada para baixo, apro-
ximadamente 1 cm, até a parede torácica se o SIM estiver sendo
abaixado, como costuma acontecer em mulheres com mamas
pequenas, sem ptose signifi cativa. Isso permite que a cicatriz
fi que escondida no novo SIM ou um pouco acima dele. Uma
mulher que não queira cicatrizes nas mamas ou que esteja
altamente preocupada com a sensibilidade na papila pode ser
excelente candidata a uma incisão transaxilar. Embora o acesso
transaxilar seja um método experimentado e verdadeiro, existem
numerosas estruturas neurovasculares, que estarão em risco de
lesão pela dissecção, tração, sangramento ou posicionamento
inadequado do membro superior.
Finalmente, podem ser obtidos excelentes resultados estéti-
cos com qualquer dessas abordagens. O controle cirúrgico apro-
priado e a exposição devem ser a preocupação primária ao
escolher uma incisão.
tecido mamário reage aos implantes que correspondam mal em
tamanho ou dimensão.
Posição do implante
Ao escolher a localização ideal da bolsa do implante, deve-se
ter certos fatores em mente. O mais importante é obter cober-
tura adequada através dos tecidos de partes moles. As opções
disponíveis incluem subglandular, submuscular ou biplanar
(plano duplo) (Fig. 52.4). A maioria dos aumentos de mama
é subglandular. Os benefícios dessa posição incluem colocação
anatômica, não afetada pela contração do músculo peitoral, e
aspecto mais natural sob certas circunstâncias. A pouca cober-
tura pelos tecidos de partes moles, especialmente no polo supe-
rior, contudo, pode levar à palpabilidade do implante, bem
como à formação de ondulações.
Hoje, é mais comum o posicionamento subpeitoral ou em
plano duplo. Colocando o implante sob o músculo, fi ca menos
palpável, diminuem as ondulações e há menor potencial para
contratura da cápsula. Na abordagem em plano duplo, o
implante não é completamente coberto pelo músculo no polo
inferior, onde o parênquima da mama é maior. Isso permite
aspecto mais natural, enquanto mantém os benefícios já des-
critos da posição submuscular.
Incisão de acesso
Existem quatro incisões de acesso e abordagens cirúrgicas pos-
síveis para aumento das mamas. As três mais comuns são infra-
mamária, periareolar e axilar. A transumbilical é menos popular
e não permite a visualização direta e a dissecção da bolsa do
implante.
Fig. 52.4 Opções para posição do implante incluem subglandular, submuscular e biplanar (plano duplo). A posição em plano duplo fornece os
benefícios do posicionamento submuscular e subglandular. Tornou-se o método mais popular para colocação de implantes. É incomum a cobertura
submuscular completa.
Aumento subglandular
Aumento na fáscia submuscular
Aumento biplanar
Capítulo 52 Implantes de mama: fundamentos, segurança e considerações gerais
659
Sugestões e armadilhas
Sugestões
•
A escolha do implante e da técnica cirúrgica precisa se
basear nas características teciduais da paciente. Um
implante com tamanho e localização apropriados levará
a menor índice de complicações e a um melhor resultado
estético a longo prazo.
•
Não importa qual sistema de medida e dimensionamento
pré-operatório que o cirurgião use, a coisa mais
importante é usá-lo consistentemente. Assim fazendo, o
cirurgião pode continuar a refi nar sua técnica e se tornar
mais capaz de produzir resultados confi avelmente bons.
A documentação cuidadosa do exame físico, da medida e
do dimensionamento também podem ajudar a proteger
o cirurgião no aspecto médico-legal.
•
O consentimento informado deve apresentar a ideia de
que os implantes de mama não duram para sempre.
Existe forte probabilidade de que a paciente possa
necessitar de cirurgias adicionais durante a vida.
•
Um objetivo de todo cirurgião deve ser diminuir as taxas
de reoperação. O modo de fazer isso é óbvio: melhorar a
técnica estéril da equipe inteira, concentrar-se em fatores
para diminuir a contratura, praticar e melhorar as medidas
e o dimensionamento para oferecer confi avelmente
resultados bons na primeira vez e, mais importante,
durante a triagem e o aconselhamento pré-operatórios da
paciente.
•
Sempre tenha um assistente ao examinar e medir a
paciente, mesmo que um familiar esteja na sala. Seu
assistente deve registrar sua medida para que a paciente
não se sinta neglicenciada.
•
Tente orientar a paciente sobre os prós e contras da
prótese salina versus prótese de silicone gel, mas, no
fi nal, a escolha precisa ser feita pela paciente e a família.
É claro que se deve lutar contra a tentação de direcionar
as pacientes para um ou outro implante, se a paciente
ou seus familiares tiverem fortes vieses sobre a segurança
dos implantes.
•
As mamografi as de rotina para triagem de câncer de
mama podem estar mais envolvidas com os implantes de
mama. Tente atrair a paciente, de modo positivo, para
ver como uma oportunidade, para ser mais vigilante
sobre a saúde da mama e a triagem para câncer, a fi m de
possivelmente detectar pequenos problemas
precocemente.
•
Use materiais no consultório que forneçam precisamente
as taxas de complicações nos aumentos das mamas. Isso
demonstra um cirurgião informado, e faz a paciente
entender de modo mais realista os riscos. Faça isso ser
parte de sua rotina e documente se a paciente está
ciente das taxas.
•
Nos retornos semestrais, analise as medidas, o
dimensionamento e a seleção do implante para casos de
aumento e correlacione-os com o registro fotográfi co dos
resultados em curto e longo prazos. Isso permitirá ao
cirurgião fazer as modifi cações de sua técnica.
Armadilhas
•
É obrigatório fazer a revisão das fotos com a paciente no
pré-operatório e destacar as assimetrias. Diga a todas as
pacientes: “As mamas são como fl ocos de neve, nenhuma
é igual à outra, ainda que no mesmo corpo.”
•
Algumas assimetrias discretas do tamanho ou volume das
mamas podem ser melhoradas com enchimento
diferencial através da prótese de solução salina ou
escolha de implantes diferentes. No entanto, muitas
assimetrias, particularmente de posição do complexo
areolopapilar, podem de fato se tornar mais exageradas
com o aumento. A paciente precisa ser aconselhada
sobre isso no pré-operatório.
•
Tenha cuidado com a incisão inframamária. Erre para o
lado de tê-la ao nível do SIM ou pouco acima. Se fi car
muito baixa, poderá deslizar sob o biquíni na praia.
•
Se um implante de mama com gel de silicone se romper,
a paciente poderá não ter sintomas e não saber que o
implante se rompeu. A RM ainda é o padrão-ouro.
•
Evite dores de cabeça: deixe clara, no consentimento, a
opção de realizar uma mastopexia se necessário. Tenha
cuidado se a paciente recusar a permissão de tal opção
ao cirurgião. Apesar de tanto aconselhamento
pré-operatório, é muito frequente que as pacientes, suas
famílias ou amigos interessados terminem infelizes e, ao
fi nal, a paciente exigirá a mastopexia que o cirurgião
queria a princípio.
Resumo das etapas
•
Embora o aumento da mama possa ser um dos
procedimentos mais gratifi cantes para a paciente e o
cirurgião, as complexidades e complicações associadas a
ele não podem ser subestimadas nem negligenciadas.
Durante as consultas no pré-operatório, deverá ser
obtido consentimento informado da paciente.
•
Um cirurgião bem-informado discutirá criticamente com
a paciente os dados relevantes e a história, e avaliará as
características de tecido e de corpo da paciente a fi m de
que sejam tomadas as melhores decisões com referência
ao planejamento operatório e à seleção dos implantes.
•
Dada a complexa história médica, legal e política dos
implantes de mama, bem como sua evolução técnica e
avaliação científi ca constante, é difícil para qualquer
paciente estar inteiramente ciente das muitas escolhas à
disposição delas com referência à seleção de implantes,
técnica cirúrgica e complicações em potencial. Deve ser
objetivo do cirurgião, por ter os conhecimentos disponíveis
e informar a paciente adequadamente, construir o tipo de
relacionamento que leve às melhores escolhas para a
paciente e aos melhores resultados estéticos.
•
Com a reintrodução dos implantes de mama com silicone
gel no mercado e a elevação da popularidade do
aumento das mamas, há novo sentido de entusiasmo
nesse campo. No entanto, as lições da última crise dos
implantes mamários não podem ser esquecidas. Apesar
do peso das evidências, que desacreditam a associação
passada dos implantes de silicone com doenças
sistêmicas, continua alta a taxa de complicações locais e
de reoperações nas mulheres submetidas a aumento da
mama. Se não usarmos a riqueza de dados à disposição
para informar apropriadamente as pacientes e planejar
cuidadosamente o procedimento cirúrgico ideal,
arriscamos novas crises dos implantes de mama em
decorrência das taxas altas de complicações locais.
•
A próxima fase de melhoria da qualidade do
atendimento com relação ao aumento envolve nosso
objetivo fi nal de diminuir nacionalmente as taxas de
reoperação. Isso pode ser conseguido pela técnica estéril
absoluta, pela prática de modo mais confi ável de avaliar
e predizer o movimento do parênquima e da pele no
pós-operatório, pela atenção à diminuição da incidência
de contratura capsular e, o mais importante, pelo
minucioso aconselhamento pré-operatório e orientação
da paciente, com o objetivo fi nal de ter expectativas
realistas.
American Society of Plastic Surgeons, Procedural statistics press kit.
2007.
statistics.html
Brown MH, Shenker R, Silver SA. Cohesive silicone gel breast
implants in aesthetic and reconstructive breast surgery. Plast
Reconstr Surg 2005;116(3):768–779.
Deapen D. Breast implants and breast cancer: a review of
incidence, detection, mortality, and survival. Plast Reconstr
Surg 2007;120(7 Suppl 1).
FDA, Saline Implant PMA.
html.
Gorczyca DP, Gorczyca SM, Gorczyca KL. The diagnosis of silicone
breast implant rupture. Plast Reconstr Surg 2007;120(7 Suppl
1).
Holmich LR, et al. Breast implant rupture and connective tissue
disease: a review of the literature. Plast Reconstr Surg
2007;120(7 Suppl 1).
Maxwell GP, Baker MB. Augmentation mammaplasty: general
considerations. In: Spear SL, ed. Surgery of the breast,
principles and art. Philadelphia, PA: Lippincott Williams &
Wilkins, 2006, pp. 1237–1260.
Institute of Medicine. Safety of silicone breast implants.
Washington, DC: National Academy Press, 1999.
Leitura complementar
PBS, Breast Implants on Trial, in Frontline, PBS.
wgbh/pages/frontline/implants.
Release FP. FDA Moratorium, FDA, Editor, 1992
Sanchez-Guerrero J. Silicone breast implants and the risk of
connective-tissue diseases and symptoms. N Engl J Med
1995;332(25):1666–1670.
Tebbetts JB, Adams WP. Five critical decisions in breast
augmentation using fi ve measurements in 5 minutes: the high
fi ve decision support process [reprint in Plast Reconstr Surg
2006;118(7 Suppl):35S–45S; PMID: 17099482]. Plast Reconstr
Surg 2005;116(7):2005–2016.
Tebbetts JB. A system for breast implant selection based on patient
tissue characteristics and implant–soft tissue dynamics [see
comment]. Plast Reconstr Surg 2002;109(4):1396–1409.
Tebbetts JB. Patient evaluation, operative planning, and surgical
techniques to increase control and reduce morbidity and
reoperations in breast augmentation. Clin Plast Surg
2001;28(3):501–521.
American Society of Plastic Surgeons. Procedural statistics press kit.
html. Accessed Feb 2009.
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
660
53
C A P Í T U L O
Mamoplastia de aumento
Jennifer L. Walden
História
Em 1889, um dos primeiros procedimentos para aumento
mamário foi realizado pelo cirurgião austríaco Gersuny, que
injetou parafi na líquida diretamente nas mamas de uma
paciente para melhorar seu formato e sua consistência. Desde
então, vários procedimentos cirúrgicos foram tentados com o
objetivo de aumento do volume mamário, muitos deles com
resultados devastadores.
Em 1962, Cronin e Gerow iniciaram estudos clínicos que
levaram aos primeiros implantes de silicone gel pela Dow
Corning, já em 1963. Apesar de várias modifi cações terem sido
feitas no desenho do protótipo original, o implante mamário de
silicone foi responsável por diminuir a grande morbidade asso-
ciada a técnicas anteriores. No entanto, as preocupações sobre
uma possível ligação entre os implantes de silicone e doenças
sistêmicas autoimunes resultou na moratória dos implantes de
silicone pelo FDA em 1992. Esse fato deixou os implantes salinos
como a única opção para aumento mamário nos Estados Unidos
até 1998, quando o silicone foi reintroduzido em estudos clíni-
cos restritos. A partir de 2006, como nenhum dado conclusivo
sobre a correlação entre implantes de silicone e doenças sistêmi-
cas foi encontrado, essas próteses voltaram a ser utilizadas em
mamoplastias primárias de aumento e ainda permanecem como
a prótese de escolha em todo o mundo.
Avaliação física
Talvez uma das responsabilidades mais importantes do cirur-
gião plástico seja a de estabelecer o ideal estético para cada
paciente garantindo segurança e respeito pelas dimensões cor-
porais de cada uma. O conceito de mama ideal é infl uenciado
por fatores culturais, sociológicos e psicológicos. Pobre comu-
nicação entre cirurgião e paciente pode levar a resultados insa-
tisfatórios e incongruência entre a anatomia da paciente e seus
limites. É importante que ambas as partes se comuniquem
adequadamente no que se refere ao tamanho e forma dos
implantes, utilizando inclusive fotografi as, demonstrações dos
implantes atuais e consentimento informado adequado. Para
colaborar nas decisões, os seguintes itens são muito importan-
tes na escolha do implante apropriado para cada paciente:
•
Volume e forma atual da mama.
•
Forma e tamanho desejado.
•
Diâmetro da base de cada mama.
•
Flacidez do envelope cutâneo mamário.
•
Simetria.
•
Grau de ptose (classifi cação de Regnault).
•
Alterações do arcabouço ósseo.
•
Medida da fúrcula esternal à papila mamária.
•
Medida da linha média à papila mamária.
•
Medida da papila mamária ao sulco inframamário.
•
Localização das incisões de acesso.
Anatomia
A mama se desenvolve ao longo da parede anterior do tórax,
no período embrionário, e começa sua maturação durante a
puberdade. É composta por tecido glandular, conjuntivo e gor-
duroso. Os ligamentos de Cooper cruzam entre a fáscia muscu-
lar profunda e a derme, progredindo através do parênquima
mamário e dividindo a mama em lóbulos. Existe uma camada
gordurosa peitoral que se encontra acima da fáscia do músculo
peitoral maior e que pode ser liberada para criar um plano
subcutâneo. Contíguo a essa camada de tecido gorduroso estão
as glândulas mamárias, compostas por lóbulos secretores cheios
de ductos lactíferos.
Essas estruturas recebem seu suporte sanguíneo através de
perfurantes intercostais oriundos das artérias torácicas lateral e
interna. Esseas perfurantes convergem para formar um plexo
subdérmico bastante denso, que vai irrigar a pele. O complexo
areolopapilar é inervado predominantemente pelo 3o, 4o e 5o
nervos intercostais, através de ramos cutâneos anterolaterais e
anteromediais .
661
Seção 11: A mama
Veja o DVD
Consulte
para ver as atualizações deste capítulo
(em inglês)
p
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
662
O músculo peitoral maior se origina na porção inferomedial
da clavícula, com extensões ao esterno e cartilagens mediais da
2o à 6o costelas, acabando por se inserir na porção superior do
úmero. Sobrepõe o gradeado costal, bem como o músculo pei-
toral menor, sendo fi xo a essas estruturas por tecido areolar
frouxo. Esse músculo pode ser separado dessas estruturas profun-
das com dissecção romba para criar um plano submuscular.
Etapas técnicas
Tipo de implante
Uma consideração importante a ser feita durante o planejamento
de uma mamoplastia de aumento é o tipo de implante a ser uti-
lizado: salino ou de silicone. Ambos podem proporcionar resulta-
dos excelentes, mas também podem apresentar seus defeitos.
O implante de silicone se assemelha mais ao tecido mamário,
criando aparência e sensibilidade ao toque mais natural. Esses
aspectos são inicialmente considerados pelos pacientes, justifi -
cando o aumento de seu uso desde a liberação pelo FDA. No
entanto, pelo fato de serem previamente preenchidos com sili-
cone, necessitam de incisões 1-2 cm maiores para sua introdução,
dependendo do tamanho do implante. Além disso, muitas mulhe-
res ainda se encontram apreensivas quanto à possibilidade de
riscos à saúde associados ao uso de silicone. Apesar de estabele-
cida sua segurança em relação ao desenvolvimento de doenças
sistêmicas autoimunes, a resposta infl amatória às partículas livres
de silicone provenientes de rupturas extracapsulares pode produ-
zir alterações cosméticas, muitas vezes difíceis de serem resolvidas.
Recentemente, com a camada de barreira adicional presente na
terceira geração de implantes de silicone e o aumento da densi-
dade molecular do silicone proporcionando um gel mais coesivo,
esse problema tem se tornado bem menos frequente.
Entre 1992 e 2006, com exceção dos estudos clínicos, os
implantes salinos eram os únicos disponíveis nos Estados
Unidos, o que proporcionou grande evolução na técnica ope-
ratória utilizada para sua colocação. Incisões remotas, como as
utilizadas no acesso transaxilar por via endoscópica, se torna-
ram mais frequentes e bastante seguras. Vários cirurgiões trei-
nados em laparoscopia contribuíram naturalmente para essa
evolução. Implantes salinos podem ser introduzidos por inci-
sões relativamente pequenas e permitem ao cirurgião ajustar o
volume intraoperatoriamente, proporcionando, inclusive, a
correção de assimetrias. Apresentam um custo relativamente
menor do que o implante de silicone e, segundo alguns cirur-
giões, movimentação mais natural durante a prática de ativi-
dade física. Por outro lado, os implantes salinos são mais
propensos a apresentar dobras e defl ação espontânea. Indepen-
dentemente do tipo de implante, a seleção apropriada deve vir
de uma decisão conjunta entre o cirurgião e a paciente. Um
estudo biodmensional utilizando medidas como o diâmetro da
base da mama, a espessura do tecido mamário e a distância
entre a papila e o sulco inframamário deve ser empregado e vai
ser coberto em outro capítulo deste texto.
Posicionamento
A loja mamária para posicionamento do implante pode ser
criada no espaço subglandular ou submuscular (Fig. 53.1). A
técnica subglandular é geralmente reservada para pacientes que
tenham substancial quantidade de tecido mamário ou leve grau
de ptose, já que projeções maiores podem ser obtidas. Mulheres
que praticam muita musculação podem preferir implantes
subglandulares para evitar possíveis distorções do implante no
momento da contração muscular. No entanto, o risco mais
elevado de contratura capsular, a presença de dobras e a maior
possibilidade de palpação do implante têm tornado menos
frequente o uso do plano subglandular.
Em pacientes com pouco tecido mamário e pequena ptose,
a técnica subpeitoral, em nossa opinião, produz ótimos resul-
tados. O músculo peitoral maior cobre a porção superomedial
do implante, suavizando a transição e criando uma mama com
melhor forma anatômica (Fig. 53.2). Esse método também
Fig. 53.1 Figura mostrando posicionamento subglandular versus submuscular. Note que o terço inferior do implante é coberto por glândula
mamária e fáscia muscular, enquanto os dois terços superiores são cobertos pelo músculo peitoral maior.
Mama antes do aumento
Mama após aumento subglandular
Mama após aumento submuscular parcial
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
663
Fig. 53.2 Posicionamento submuscular. O autor prefere
posicionamento do implante em plano submuscular parcial para melhor
contorno estético, camufl ando a borda do implante, reduzindo os níveis
de contratura e melhorando a visualização na mamografi a. O desenho
demonstra o posicionamento através de incisão periareolar.
Fig. 53.3 Sítios de incisões: exemplos de incisões periareolar, sulco inframamário e transaxilar são mostrados. Note que todas cicatrizam bem, de
acordo com o posicionamento adequado e a seleção correta da paciente conforme a anatomia individual da mama. (Esta fi gura incorpora imagens
das Figs. 53.5, 53.7 e 53.10.)
Periareolar
Sulco inframamário
Transaxilar
proporciona consistência natural, o que é especialmente dese-
jável quando se utilizam implantes salinos. Além disso, o plano
submuscular tende a ser menos vascularizado, e é associado a
menor alteração sensitiva do complexo areolopapilar. A taxa de
contratura capsular é menor no plano submuscular do que no
plano subglandular. Somando-se ao melhor resultado estético,
existem ainda vantagens funcionais na utilização do plano sub-
muscular no que diz respeito à amamentação e rastreamento
do câncer de mama.
Acesso cirúrgico
Apesar de inúmeros métodos terem sido descritos na literatura,
existem alguns acessos cirúrgicos preferenciais para a mamo-
plastia de aumento: inframamário, periareolar e transaxilar
(Fig. 53.3). Descolamentos podem ser realizados em qualquer
plano, com ou sem o auxílio de endoscópio.
A incisão no sulco inframamário (Fig. 53.4) promove exce-
lentes resultados em termos de cicatrizes inaparentes, acessibi-
lidade a todos os tipos de implantes e modifi cações do local do
sulco (Fig. 53.5). Essa incisão possibilita ótima visualização do
músculo peitoral maior e parênquima mamário, o que permite
ao cirurgião realizar o descolamento adequadamente em qual-
quer plano, subglandular ou submuscular. Os riscos dessa
incisão são ruptura iatrogênica do implante durante o fecha-
mento e exposição do implante no período pós-operatório
devido ao peso do implante sobre uma área em cicatrização.
Além disso, a incisão de acesso precisa ser cuidadosamente
planejada para evitar sua migração inferior à parede torácica ou
superior em direção ao polo inferior da mama.
Em pacientes que não necessitam de ajustes no sulco infra-
mamário, a incisão é feita sobre o sulco e com extensão apro-
ximada de 2,5-3,0 cm, estendendo-se lateralmente a partir da
papila até a porção lateral do músculo peitoral maior. Ao fazer
um descolamento submuscular, o autor prefere liberar aderên-
cias musculares inferiores com o auxílio de uma pinça tipo
mosquito e eletrocautério. O músculo peitoral maior pode
então ser elevado do gradeado costal com o dedo ou um des-
colador de Agris-Dingman, que é substituído por um afastador
iluminado para a realização de hemostasia e secção de qualquer
banda muscular residual com o uso de eletrocautério. As únicas
fi bras mediais do músculo peitoral maior seccionadas são
aquelas que aparecem deslocadas medialmente de forma
anômala. Do contrário, apenas as fi bras inferiores do músculo
são liberadas. Em casos de ptose ou mamas tuberosas, a técnica
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
664
Fig. 53.4 Acesso inframamário.
Músculo peitoral maior
Músculo peitoral menor
Bainha do músculo
reto abdominal
Músculo reto abdominal
Fig. 53.5 Incisão inframamária.
de duplo plano, como descrita por Tebbets, pode ser utilizada
para colaborar na cobertura de tecido sobre o implante.
Um molde pode ser colocado para auxiliar na escolha do
implante e também pode ser preenchido exageradamente para
uma expansão intraoperatória dos tecidos, bem como para pro-
porcionar tamponamento e facilitar a hemostasia. Usando uma
solução de antibiótico, o implante selecionado é banhado nessa so-
lução e a loja é irrigada previamente à introdução do implante.
Os implantes são posicionados, e a paciente é colocada em
posição sentada para que se avalie o contorno e a simetria. Uma
vez que os ajustes fi nais são realizados, a paciente é retornada
para a posição supina e as incisões são fechadas em camadas
com fi o de Monocryl 3-0 e 4-0 (Ethicon, Somerville, NJ). Para
suporte adicional de tecido na região inframamária, também
utilizamos sutura contínua subcuticular de Prolene 3-0 (Ethicon,
Somerville, NJ), que é removida posteriormente no pós-opera-
tório sem qualquer sequela.
A incisão periareolar (Fig. 53.6) requer um pouco mais de
habilidade técnica, mas proporciona um ponto de acesso central
para a realização da loja, facilitando a liberação em sentido
radial. Essa incisão é indicada para aquelas pacientes que têm
sulco inframamário mal defi nido, mamas constritas ou neces-
sitam de ajustes no tamanho do complexo areolopapilar. Essa
incisão também permite ressecções conservadoras da sobra de
pele no polo inferior da mama. Para obter cicatrizes discretas,
a paciente deve ter complexo areolopapilar de tamanho sufi -
ciente para acomodar o implante selecionado e borda areolar
com pigmento bem defi nido (Figs. 53.7, 53.8). A abordagem
geralmente é limitada a implantes menores, mas não representa
nenhum problema para implantes salinos. Devido à proximi-
dade da incisão aos ductos lactíferos, ela pode ser uma opção
menos favorável para pacientes que desejam ainda amamentar.
Essa incisão pode também apresentar maior grau de parestesia
devido à proximidade com a área de descolamento.
A incisão é realizada na borda inferior da aréola, e é de
aproximadamente 3-4 cm de extensão, da posição 3 para 3
horas. Essa extensão pode variar de acordo com a anatomia
individual, mas não pode se estender além de metade da cir-
cunferência areolar. Depois que a incisão inicial é realizada, o
parênquima mamário é descolado até a fáscia do músculo pei-
toral maior em direção inferior à base da mama. Se for desejado
o plano subpeitoral, o músculo é cuidadosamente liberado,
permitindo a entrada no espaço retropeitoral. O músculo pei-
toral é então elevado, criando-se a loja mamária submuscular.
Com o auxilio de um afastador iluminado para melhor visu-
alização, o eletrocautério é utilizado para separar a borda mus-
cular da parede inferior do tórax e também para promover
hemostasia. Uma vez que as lojas foram adequadamente disse-
cadas, elas são irrigadas com solução de antibiótico, e os implan-
tes são posicionados. A paciente é então colocada em posição
sentada para permitir que o cirurgião avalie o aspecto estético
fi nal antes do fechamento das incisões. Novamente utilizamos
sutura com Monocryl 3-0 e 4-0 para camadas mais profundas,
e sutura contínua de náilon 5-0 é empregada na pele.
A técnica transaxilar endoscópica (Fig. 53.9) é ideal para
pacientes com pouco tecido mamário, sem ptose mamária e
sulco inframamário mal defi nido. Essa incisão se presta melhor
para implantes salinos que podem ser preenchidos uma vez
posicionados, mas implantes de silicone podem também ser
colocados por incisões de 4 cm de extensão. A grande vantagem
dessa técnica é que não são criadas cicatrizes nas mamas (Fig.
53.10). Entretanto, como a loja mamária se situa longe da
incisão, é mais difícil alterar o posicionamento do sulco infra-
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
665
Fig. 53.6 Acesso periareolar.
Músculo peitoral maior
Músculo peitoral menor
Bainha anterior do
músculo reto abdominal
Músculo reto abdominal
Margem lateral do músculo peitoral maior
Porção inferior do
músculo peitoral menor
Incisão periareolar
Dissecção subcutânea proposta até
a fáscia do músculo peitoral maior
Figs. 53.7 e 53.8 Incisão periareolar.
mamário mais precisamente e corrigir assimetrias. Liberações
inadequadas do músculo com essa técnica podem levar a
implantes mal posicionados, com deslocamento superior. Essa
técnica não é apropriada para pacientes com mamas tuberosas
e, apesar de possível, é impraticável para posicionamento
subglandular do implante. Além disso, revisões cirúrgicas
podem exigir outra incisão se mudanças signifi cativas forem
necessárias.
Uma incisão transversa de 2,5-3 cm é feita posteriormente
à prega axilar anterior e inferior ao ápice da axila, seguindo as
linhas de Langer na prega axilar. Tesouras de ponta romba são
usadas para criar um plano subcutâneo entre a incisão até a
fáscia lateral do músculo peitoral maior. É importante que
essa dissecção seja feita superfi cialmente para evitar lesão do
nervo intercostobraquial, que cruza essa região. Uma vez que
a borda lateral do músculo foi elevada, a loja subpeitoral
inferior e lateral é descolada digitalmente em sua máxima
extensão. Em seguida, um descolador de Agris-Dingman é
utilizado para complementar o descolamento dessas lojas. É
preciso tomar muito cuidado nessa manobra para evitar
avulsão dos vasos perfurantes mediais e a entrada no espaço
subpleural. Se o uso de afastador endoscópico é desejado, ele
deve ser introduzido na loja nesse momento para liberação
precisa do músculo na sua porção inferior ao longo do sulco
inframamário.
Para fazer isto, utilizamos um afastador angulado que
acomoda um endoscópio de 10 mm com 30º acoplado ao
equipamento endoscópico padrão. A empresa Snowden Pencer
(Cardinal Health, Dublin, OH) tem providenciado os instru-
mentos mais efetivos para esse procedimento. Para melhores
resultados, a dissecção deve ser realizada bilateralmente antes
do posicionamento dos implantes. Uma vez que as lojas foram
irrigadas e os implantes posicionados, a paciente é colocada em
posição sentada para que se possa avaliar o resultado estético e
possíveis assimetrias, permitindo ao cirurgião algum ajuste fi nal
antes do fechamento. A incisão é então fechada por camadas
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
666
Fig. 53.9 Acesso transaxilar.
Incisão axilar
Incisão axilar
Incisão na porção lateral
do músculo peitoral maior
Incisão na porção lateral
do músculo peitoral maior
Área de descolamento
com o dedo
Descolamento com o dedo,
o mais inferior possível
Descolamento com instrumentos
Liberação com eletrocautério
e visualização com endoscópio
Fig. 53.10 Incisão axilar (terceiro mês de pós-operatório).
com Monocryl 3-0 e 4-0, sendo que a pele é fechada com sutura
contínua de náilon 5-0.
Cuidados pós-operatórios
Uma vez fechadas as incisões, são colocadas Steri-Strips (3M,
St Paul, MN) nelas, e uma faixa elástica de 15 cm é colocada
ao redor do tórax superiormente. Essa bandagem é posicionada
com o objetivo de prevenir o deslocamento dos implantes, bem
como minimizar o edema e as equimoses. Antibióticos com
cobertura para Gram-positivo são prescritos e iniciados imedia-
tamente no período pós-operatório. A paciente também recebe
analgésicos para manejo da dor e diazepam por seus efeitos
ansiolíticos e de relaxamento muscular. Na primeira visita pós-
operatória, os curativos são removidos e substituídos por
malhas compressivas cirúrgicas, ou sutiãs cirúrgicos ou faixas
torácicas, dependendo de cada técnica específi ca (Fig. 53.11).
Para implantes com superfície lisa, massagens diárias são reco-
mendadas no período pós-operatório de três semanas para
auxiliar a manter a cápsula macia e envolver a paciente em seu
cuidado pessoal. As pacientes são orientadas a evitar exercícios
físicos por um período mínimo de duas semanas.
Complicações
Ver Tabela 53.1.
Apesar de rara, existe incidência estimada de 0,5% de hema-
toma após mamoplastias de aumento (Baker, 1998). Essa com-
plicação pós-operatória é tipicamente caracterizada por dor
unilateral, com aumento progressivo do volume da mama e
equimose. Os riscos são minimizados por hemostasia intraope-
ratória cuidadosa, controle rigoroso da pressão arterial e repouso
no período pós-operatório imediato. Infecção é uma complica-
ção em potencial, tipicamente causada por micro-organismos
presentes na fl ora do tecido mamário. Irrigação intraoperatória
da loja com antibióticos e antibioticoprofi laxia endovenosa
antes do início da cirurgia são fatores importantes relacionados
à prevenção de infecção operatória. A sensibilidade do com-
plexo areolopapilar pode ser afetada em cirurgias mamárias,
resultando em hiperestesia ou disestesia. Na grande maioria dos
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
667
Fig. 53.11 Faixa torácica: o autor utiliza uma faixa torácica (Design
Veronique®, Richmond, CA) nas duas primeiras semanas de pós-
operatório para estabilizar implantes submusculares e auxiliar sua
descida nesse período inicial
Tabela 53.1 Potenciais complicações após mamaplastia de aumento
Complicações
Taxa
Comentários
Fontes
Hematoma
0,5–3%
Mais frequentemente ocorre no período pós-operatório imediato.
Necessita de reoperação se signifi cativo. Pode resultar em
contratura capsular .
Baker (1998)
Williams (1972)
Infecção
0,09–2,2%
Pode exigir retirada do implante se resistente à antibioticoterapia.
Pode causar contratura capsular .
Baker (1998)
Courtiss (1979)
Alterações na
sensibilidade mamária
15%
Pode envolver qualquer área da mama. Geralmente consideradas
permanentes se não resolverem após 1 ano da cirurgia .
Goldwyn (1976)
Galactorreia
<1%
Antibioticoprofi laxia no período pós-operatório imediato. Se
prolongada, necessita de acompanhamento endocrinológico .
Rothkopf (1990)
Pneumotórax
“ Raro”
Frequência pode ser subestimada.
Clinics in PS (2001)
Contratura capsular
3–30%
Grande variação na literatura, de acordo com a geração do
conteúdo do implante, superfície do implante e irrigação da loja .
Incidência acumulada de
3 anos de implantes
silicone gel e estudos SPS
para aumento primário
(Dados do PMA) (Nov. 2006)
Ruptura do implante
0,5–3,3%
Variável de acordo com a fonte: dados recentes do PMA são
promissores com números mais baixos do que reportados
previamente, tanto para implantes de silicone como implantes
salinos .
Dados do PMA da Mentor
(novembro de 2006)
Dobras
< 1 –20,8%
Índices mais baixos para silicone (<1%) do que para implantes
salinos (20,8%) .
Dados do PMA da Mentor
(janeiro de 2005)
PMA: aprovação pré-mercadológica.
casos, essas alterações são temporárias e tendem a se resolver
com o tempo. Contratura capsular pode acontecer e parece estar
associada com sangue residual ou contaminação bacteriana
subclínica, apesar de que os fatores predisponentes ainda estão
sendo discutidos. Novamente, hemostasia rigorosa, irrigação da
loja mamária com três tipos de antibióticos e uso de antibioti-
coprofi laxia representam medidas importantes na prevenção da
contratura capsular. Massagens diárias no período pós-operató-
rio imediato também parecem ser efetivas. Em casos de implan-
tes subglandulares, o uso de implantes de superfície texturizada
parece ser benéfi co, de acordo com a literatura em cirurgia
plástica. No entanto, esses implantes texturizados apresentam
a desvantagem de maior potencial de se tornarem palpáveis em
pacientes magras devido à sua camada externa mais espessa.
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
668
Sugestões e armadilhas
Sugestões
•
Para assegurar simetria na mamoplastia de aumento, os
apoios de braços devem ser fi xos à mesa operatória em
posição e ângulo idênticos. Nós os posicionamos em
ângulo de 90º em relação à mesa operatória.
•
A colocação dos campos cirúrgicos para mamoplastias de
aumento deve permitir bom acesso acima e abaixo dos
apoios de braços para facilitar qualquer mudança de plano.
•
Na substituição de implantes salinos por implantes de
silicone, estes requerem volume maior para parecerem
semelhantes aos implantes salinos, dado que a maioria
dos implantes salinos nos Estados Unidos tem pouco
preenchimento.
•
Marcar a paciente em posição sentada e decúbito dorsal
durante a cirurgia auxilia no posicionamento da incisão e
do implante.
•
Quando estiver utilizando técnica endoscópica, associar o
aspirador ao afastador em oposição ao eletrocautério
diminui a possibilidade de obstruir a aspiração.
Armadilhas
•
A mamoplastia de aumento é uma cirurgia que requer
comunicação bem clara com a paciente no que se refere
a riscos, benefícios, vantagens e desvantagens de cada
técnica e implante. Assim, mudanças podem ser feitas de
comum acordo.
•
Considere uma alternativa a técnica transaxilar em
pacientes com o tórax muito longo ou mamas
posicionadas muito inferiormente.
•
Evite selecionar implantes com base signifi cativamente
maior do que a mama natural, já que isso
frequentemente proporciona resultados não naturais e
leva à palpação das bordas dos implantes.
•
Durante a dissecção da loja, no momento da liberação
do músculo peitoral da parede torácica inferior, esteja
convicto de fazê-lo acima da costela, evitando assim
entrar no espaço pleural.
•
Evite deixar os implantes salinos muito vazios, uma vez
que aumenta o risco de dobras e ruptura precoce da
camada externa do implante.
Resumo das etapas
1.
Depois que o consentimento informado é obtido, a
paciente é marcada em pé ou sentada com uma caneta
cirúrgica. Essas marcações devem, no mínimo, refl etir a
linha média abaixo da fúrcula esternal, bem como os
sulcos inframamários e as lojas mamárias propostas
com suas incisões.
2.
Acesso endovenoso é estabelecido e
antibioticoprofi laxia é administrada antes do início do
procedimento.
3.
Paciente é colocado na posição supina e é realizada
anestesia geral com entubação orotraqueal ou máscara
laríngea. O autor prefere esta do que a anestesia geral
com sedação, já que permite relaxamento muscular
adequado e, consequentemente, dissecção mais precisa
da loja.
4.
Os braços são posicionados abertos em ângulo de 90º e
ao nível dos ombros. Articulações são checadas e
protegidas.
5.
As incisões propostas e os sulcos inframamários são
infi ltrados com aproximadamente 50 mL de xilocaína a
0,5% com adrenalina na proporção de 1:200.000.
6.
A paciente é então preparada com campos cirúrgicos
de maneira estéril, permitindo acesso às partes superior
e inferior dos braços.
7.
A incisão é realizada, e uma das três técnicas discutidas
previamente é utilizada.
8.
Uma vez que o descolamento atinge a fáscia peitoral,
uma loja é feita no espaço subglandular ou
submuscular, seguida de hemostasia. O autor prefere
uma técnica parcialmente submuscular ou em duplo
plano, na grande maioria dos casos.
9.
Em casos de assimetria moderada ou severa utilizando
implantes salinos, e na maioria dos casos de assimetria
utilizando implantes de silicone, um molde é colocado
para se determinar o tamanho (e então preenchido ao
máximo com solução salina para expansão
intraoperatória e tamponamento).
10.
A atenção é então dirigida para a mama contralateral,
sendo o procedimento repetido da mesma maneira.
11.
Depois que o implante apropriado foi selecionado, os
moldes são removidos.
12.
As lojas mamárias são então irrigadas com solução de
antibiótico e novamente a hemostasia é checada. Uma
solução com três tipos diferentes de antibiótico, como
bacitracina, cefazolina e gentamicina, é preferida.
13.
Os implantes são banhados na solução de antibiótico.
14.
Uma vez posicionados os implantes, a paciente é
colocada sentada para acessar o contorno e a simetria,
permitindo ao cirurgião que fazer alguma modifi cação
fi nal necessária. Avaliação dos ombros e clavículas é
necessária para assegurar correto posicionamento e
consequente simetria.
15.
A paciente é então retornada à posição supina, e as
incisões cirúrgicas são fechadas em camadas.
16.
Steri Strips são colocados na incisão, uma bandagem
elástica é enrolada ao redor do tórax e a paciente é
encaminhada à sala de recuperação pós-anestésica.
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
669
Fig. 53.12
Fig. 53.13
Figs. 53.12, 13, 14 (pré-operatório) paciente no 1: Paciente do sexo
feminino, com 24 anos, apresenta hipomastia, assimetria dos sulcos
inframamários e leve pectus excavatum, que requer moderado aumento
do volume mamário antes da liberação do FDA para implantes
mamários de silicone gel, com altura de 1,65 m, peso de 50 kg, e
diâmetro da base de 10,5 cm, optou-se por implante de solução salina
de 250 mL, lisas, redondas e com perfi l moderado. Introduzidas através
de incisão no sulcos inframamários, em posição submuscular, para obter
aparência aumentada natural, e com sulcos mais simétricos.
Fig. 53.14
ESTUDO DE CASO: PACIENTE NO 1
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
670
Fig. 53.16
Figs. 53.15, 16, 17 (Pós-operatórios) paciente no 1: Paciente do sexo
feminino, com 24 anos, apresenta biomastia, assimetria dos sulcos
inframamários e leve pectus excavatum, que requer aumento moderado
do volume mamário, antes da liberação do FDA para implantes
mamários de silicone gel. Com altura de 1,65 m, peso de 50 kg, e
diâmetro da base de 10,5 cm, optou-se por implantes de solução de
250 mL, lisas, redondas e com perfi l moderado. Introduzidos através de
incisão nos sulcos inframamários, em posição submuscular, para obter
aparência aumentada natural, e com sulcos mais simétricos.
Fig. 53.15
Fig. 53.17
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
671
Fig. 53.18
Fig. 53.19
Fig. 53.20
Fig. 53.21
Figs. 53.18, 19, 20, 21, 22 (pré-operatório) paciente no 2: Paciente do
sexo feminino com 23 anos, apresentando mamas verticalmente curtas,
bases altas, e sulco inframamário direito ligeiramente mais alto do que
o esquerdo. Deseja aumento para tamanho “G”, com altura de 1,52 m
e peso de 49 kg, com base de 12 cm de diâmetro. Fatos pós-
operatórios demonstram resultados do aumento mamário com
implantes de silicone gel com 286 mL e perfi l moderado alto,
introduzidos através dos sulcos inframamários, em posição subauscular.
Note a expansão do polo inferior, obtendo forma das mamas mais
estéticas e alturas dos sulcos simétricos.
Fig. 53.22
ESTUDO DE CASO: PACIENTE No 2
Seção 11: A mama
Cirurgia plástica estética
672
Fig. 53.24
Fig. 53.25
Fig. 53.26
Figs. 53.23, 24, 25, 26, 27 (Pós-operatório) paciente no 2: Paciente do
sexo feminino com 23 anos, apresentando mamas verticalmente curtas,
bases altas, e sulco inframamário direito ligeiramente mais alto do que
o esquerdo. Deseja aumento para tamanho “G”, com altura de 1,52 m
e peso de 49 kg, com base de 12 cm de diâmetro. Fatos pós-
operatórios demonstram resultados do aumento mamário com
implantes de silicone gel com 286 mL e perfi l moderado alto,
introduzidos através dos sulcos inframamários, em posição subauscular.
Note a expansão do polo inferior, obtendo forma das mamas mais
estéticas e alturas dos sulcos simétricos.
Fig. 53.23
Fig. 53.27
Capítulo 53 Mamoplastia de aumento
673
Agradecimentos
O autor gostaria de agradecer Walter Lampeter por sua ajuda neste capítulo.
Leitura complementar
FDA. Accessed 21st July 2007.
Hidalgo DA. Breast augmentation: Choosing the optimal incision,
implant, and pocket plane. Plast Reconstr Surg
2000;105(6):2202–2216.
Muzaffar AR, Rohrich RJ. The silicone gel-fi lled breast implant
controversy: An update. Plast Reconstr Surg
2004;109(2):742–748.
Netter FH. Atlas of human anatomy. Basle: Ciba-Geigy
Corporation, 1989, plates 167, 168 & 175.
Takayanagi S, Chisato N, Sugimoto Y. Augmentation
mammaplasty: Where should the implant be placed? Aesthet
Plast Surg 2004;28:83–88.
Tebbetts JB. Dual plane breast augmentation: Optimizing implant–
soft tissue relationships in a wide range of breast types. Plast
Reconstr Surg 2001;107(5):1255–1272.
Adams WP Jr, Rios JL, Smith SJ. Enhancing patient outcomes in
aesthetic and reconstructive breast surgery using triple
antibiotic breast irrigation: Six year prospective clinical study.
Plast Reconstr Surg Adv Breast Augment 2006;118: (7S)
Suppl46S-52S.
Baker JL Jr. Chapter 63. In: Spear SL, ed. Augmentation
mammaplasty, surgery of the breast principles and art.
Philadelphia: Lippincott-Raven, 1998, pp. 845–854.
Bostwick J III. Plastic and reconstructive breast surgery, 2nd edn.
St Louis, MO: Quality Medical Publishing, 2000, pp. 79–96,
193 & 228.
Burkhardt BR, Demas CP. The effect of siltex texturing and
povidone-iodine irrigation on capsular contracture around
saline-infl atable breast implants. Plast Reconstr Surg
1994;93(1):123–130.
FDA approves silicone gel-fi lled breast implants after in-depth
evaluation news release (16 November 2006). Available at:
